As Deusas-mãe – uma análise de Atena e Hera

Mariana Fujikawa

Apresentação em slides: As Deusas-mãe – uma análise de Atena e Hera

Roteiro para discussão em sala:

SLIDE 1: nesse slide há o título do trabalho, a autoria e para qual disciplina esse trabalho foi feito.

SLIDE 2: Introdução

Nesse slide o ou a professora pode apontar para a questão de que a Grécia antiga era politeísta, ou seja, a população acreditava em diversos deuses. Cada divindade possuía características singulares, acreditava-se que eles impactavam diretamente no cotidiano de suas vidas. Entendemos que os considerados três grandes deuses eram Zeus, Poseidon e Hades. (BRANDÃO, 1993) Assim, diversas vezes os focos permanecem nessas figuras masculinas, porém desejamos transformar esse olhar, e abordar duas deusas: Atena e Hera. O ou a professora pode, então, ressaltar que o foco desse trabalho é abordar deusas no passado e também no presente, abordando questões da história das mulheres.

SLIDE 3: O que é uma deusa? (Título do slide que representa o próximo tópico a ser discutido)

SLIDE 4: o ou a professora pode apresentar que para abordarmos as deusas no mundo antigo, precisamos entender a relação desse conceito com a ideia do deus masculino (em grego théo). No grego as deusas são intituladas de três maneiras: theá, forma feminina de théo, como théo, mas precedida de artigo feminino e também como théos, que entende a ideia de divindade. (LORAUX, 1991)

SLIDE 5: o ou a professora deve ressaltar que apesar dessas variantes, os atributos divinos – em teoria – independiam do sexo. Um exemplo disso é o de que enquanto no mundo dos humanos a guerra era algo exclusivamente masculino, no mundo Imortal a guerra possuía Atenas assim como Ares enquanto seus representantes. Na teoria, então, o termo théa seria como o termo théo, mas como essas divindades são construções históricas, feitas por humanos, percebemos que há uma diferenciação criada entre o masculino e o feminino, algo que podemos perceber na ideia de Deusa- mãe. (LORAUX, 1991)

SLIDE 6: A deusa Atena (título do slide que representa o próximo tópico a ser discutido)

SLIDE 7: o professor ou professora pode basear-se no próprio slide. Neste apresentamos os atributos de Atena, a relação destes com a virtude e a história da Deusa Atena.

SLIDE 8: as imagens das deusas (título do slide que representa o próximo tópico a ser discutido)

SLIDE 9: professora ou professor pode ler esse slide. Nele fizemos uma breve problematização sobre as fontes e o fato de não possuirmos todos os dados sobre os vasos gregos.

SLIDE 10: o professor ou professora pode pedir para que os alunos apresentem o que veem no vaso. Em seguida, pode ler nossa análise sobre o vaso.

SLIDE 11: A deusa Hera (título do slide que representa o próximo tópico a ser discutido)

SLIDE 12: nesse slide o ou a professora pode apresentar que Hera, filha de Cronos e Réia, é conhecida como a padroeira das mulheres casadas, protetora dos casamentos, dos nascimentos, dos partos e das mulheres. Sua história é comumente relatada em relação ao seu casamento com Zeus. Ela, enquanto banhava-se, encontra-o, disfarçado como um pássaro. Zeus, então, assume sua verdadeira forma e a estupra. Envergonhada e humilhada, tem de se casar com ele para compensar a perda de sua virgindade. Esse casamento é seguido de traições de Zeus. Hera, porém, ainda que ciumenta, permanece fiel. Devido a suas diversas traições ela o humilha, persegue e até conspira para retirá-lo do poder. (ROBLES, 2006) Certos aspectos que apresentamos nesse texto estão presentes no slide, mas nesse roteiro aprofundamos essas questões.

SLIDE 13: o ou a professora pode ler esse slide e problematizar com os e as alunas a questão de qual seria o papel da mulher na Grécia Antiga.

SLIDE 14: o professor ou professora pode pedir para que os alunos apresentem o que veem no vaso. Em seguida, pode ler nossa análise sobre o vaso.

SLIDE 15: Deusa- mãe (título do slide que representa o próximo tópico a ser discutido)

SLIDE 16: Certos aspectos já estão presentes no slide, mas a professora ou professor pode aprofundar a questão de que há a ideia de uma grande mãe na concepção grega. (MARQUETTI, 2003) Ela é a origem, a genitora, mas não há algo que afirme que ela seja um ser único. Assim, as deusas do Olimpo são – de uma forma ou outra – atreladas a ideia de maternidade. Dessa forma, deusas virgens – como Atena – e deusas que não são o exemplo clássico de maternal – como Hera- são relacionadas à ideia de ser mãe. (LORAUX, 1991) Essa busca de relacionarem todas deusas com a maternidade é uma construção de qual seria a suposta natureza feminina.

SLIDE 17: o professor ou professora pode pedir para que os alunos apresentem o que veem no vaso. Em seguida, pode ler nossa análise sobre o vaso.

SLIDE 18: o professor ou professora pode pedir para que os alunos apresentem o que veem no vaso. Em seguida, pode ler nossa análise sobre o vaso.

SLIDE 19: Do passado ao presente (título do slide que representa o próximo tópico a ser discutido)

SLIDE 20: Esses aspectos a seguir estão no slide, mas nesse roteiro eles estão aprofundados: percebemos, então, que no passado as representações das deusas foram associadas com a ideia de ser mãe. Essa relação reforça estereótipos de qual seria o papel das mulheres. Desde a antiguidade observamos isso, e no século XIX afirmam que as mulheres pertencem somente o âmbito privado, ou seja, à casa e às funções de ser mãe e esposa. (BADINTER, 1989) Isso apaga aspectos da individualidade e pluralidade de todas as mulheres, e precisamos entender que as mulheres podem optar por atuar em espaços além do mundo privado. Esse apagamento de características das mulheres impactam em diversos locais da sociedade como, por exemplo, na construção de Atena e de Hera na atualidade.

SLIDE 21: Representações de Hera e Atena na atualidade (título do slide que representa o próximo tópico a ser discutido)

SLIDE 22: Hera na saga Percy Jackson

O professor ou professora pode apontar que nos livros, assim como na mitologia clássica, Hera é a deusa do casamento e da maternidade. Uma diferença que percebemos, porém, foi a maneira que seu casamento com Zeus é apresentado nos livros. Neste, diferentemente da mitologia, há um consenso entre ambos, e Hera se apaixona por Zeus. Além disso, apesar de vingativa, nos livros ela foi ensinada a ter esses impulsos controlados e a sempre se reconciliar com Zeus. Zeus, na versão do livro, apesar de ter traído Hera diversas vezes, é apresentado como alguém que ama-a e a estima. Percebemos, então, uma postura conciliadora – em relação a Hera e Zeus – nos livros Percy Jackson.

SLIDE 23: sugerimos que a ou o professor leia o slide e peça para que a turma comente.

SLIDE 24: Atena em Cavaleiros do Zodíaco

Apesar de que esses aspectos estão presentes no slide, aprofundamos e apontamos que Saori, na saga dos Cavaleiros do Zodíaco é a reencarnação de Atena no século XX. É amorosa, assumindo uma posição similar a de uma mãe com seus filhos. Além disso, é sequestrada, sendo resgatada pelos cavaleiros de bronze. Apesar de ser a reencarnação da Deusa da Guerra, Saori nunca luta. Aparenta ser, então, uma deusa frágil, uma vítima sempre dependente da ação masculina.

SLIDE 25: esse slide continua a trabalhar com as questões do slide anterior. Sugerimos que o ou a professora leia o que está escrito e leia também as falas de Saori que estão presentes nos mangás do Cavaleiros do Zodíaco.

SLIDE 26 e 27: Considerações finais

Colocamos essas questões em forma de tópico nos slides, para que fique mais didático e dinâmico, mas gostaríamos de apontar, para que a ou o professor possa aprofundar que o passado atrelou as grandes deusas do Olimpo com o papel da maternidade. Apresentou a deusa da guerra como uma mãe e afirmou que apesar de tudo Hera no fim se submetia a vontade de Zeus. O século XIX reforçou papéis de gênero. Afirmou que a mulher pertence dentro de casa, cuidando do marido, sendo mãe. Hoje certos aspectos ainda não foram desconstruídos. Atena é uma dama indefesa, incapaz de agir sozinha. Hera continua desejando uma família perfeita, ainda que seu marido seja o traidor Zeus.

Essas representações impactam na realidade. Garotas se espelham em representações para constituírem-se, e se as imagens que elas veem continuam afirmando que elas devem desempenhar o papel de mãe, esposa, garota em perigo que precisa se salva, elas passam a imaginar que essa é a única possibilidade de agirem – como mulheres – no mundo.

Mulheres podem ser mães, mas também médicas, heroínas, professoras, políticas. Precisamos apresentar representações para que as garotas de hoje não se sintam presas aos papéis da maternidade, do casamento. Precisamos entender que as mulheres são múltiplas, e por isso as representações sobre elas devem ser diversas, para que elas possam ver o mundo como um lugar em que ela possa atuar além do âmbito privado.

Por fim, esperamos que esse material auxilie os e as professoras que irão utilizar o powerpoint sobre as Deusas Mães.

Referências Bibliográficas

BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado: o mito do amor materno. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1989.

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega. Petrópolis: Editora Vozes, 1993.

CHAGASTELLES, Gianne Maria Montedônio. Representações Do Feminino e Apropriações De Identidades Na Grécia Clássica: Atena. Anais do XVII Encontro de História da ANPUH- Rio. p. 1-8, 8-11/08/2016.

COSTA JUNIOR, Cesar Luiz Jerce da. Princeps sapiens et Clemens : estoicismo e teoria política nos tempos de Nero a partir do tratado De Clementia de Sëneca (54 – 68 d. C.). 152f. Dissertação (Mestrado em História). Setor de Ciências Humanas da Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2018.

HACQUARD, Georges. Dicionário da Mitologia Grega e Romana. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 1990.

LORAUX, Nicole. “O que é uma deusa?”. In: Org. DUBY, Georges; PERROT, Michelle. História das Mulheres no Ocidente. Porto: Afrontamento, 1991.

MARQUETTI, Flávia Regina. A protofiguratividade da Deusa Mãe. Classica, São Paulo, v. 15/16, n. 15/16, p. 17-40, 2002/2003.

ROBLES, Martha. “Hera”. In: Mulheres, mitos e deusas: o feminino através dos tempos. São Paulo: Aleph, 2006.