As monarquias bárbaras

As monarquias bárbaras como preservadoras da tradição imperial romana

Danilo Medeiros Gazotti

(PGHIS/UFPR/NEMED)

Introdução

Na atualidade, a grande maioria dos materiais didáticos tratam o arco-cronológico referente aos séculos IV e V da nossa era como um período de declínio e queda do Império Romano, que teria ocorrido devido aos constantes ataques das populações bárbaras, que, aproveitando-se da fragilidade das defesas romanas, invadiram seu território, saquearam suas cidades e submeteram sua população. Somando o efeito dos ataques à ausência de um exército suficientemente forte para se defender, o Império Romano entraria em decadência, culminando com sua queda no ano de 476 d.C, quando o último Imperador romano é retirado do poder pelo líder dos hérulos Odoacro. Esse acontecimento teria tal magnitude para a História que marcaria o fim da Idade Antiga e o início de uma nova, a medieval.

A visão apocalíptica sobre esse período teve sua origem na época renascentista, que pregava a valorização da cultura da Antiguidade em detrimento da medieval. Posteriormente, a partir do século XVIII, foram realizados diversos estudos sobre o final do Império Romano, sempre relacionando-o com os conceitos de “declínio e queda”, como exemplo disso, a obra mais conhecida dessa corrente historiográfica é Declínio e Queda do Império Romano publicada por Edward Gibbon, em 1776.

A partir de então, essa perspectiva decadentista domina a historiografia até meados do século XX, quando alguns estudiosos começaram a repensar esse ponto de vista e formular novas interpretações sobre os acontecimentos desse período, inclusive ressignificando o papel dos bárbaros em suas relações com os romanos. Partindo dessas considerações, temos por objetivo nesse texto analisar o período final do Império Romano através dessa ótica, que difere da que está presente nos materiais didáticos e se vincula ainda a uma ideia de declínio e queda. De acordo com a perspectiva que reinterpretou a precedente abordagem decadentista, as populações bárbaras tiveram papel decisivo na manutenção das instituições romanas, ao invés de destruí-las.

Antiguidade Tardia ou Primeira Idade Média? Duas perspectivas para um   mesmo contexto

Em contraponto ao pensamento decadentista da historiografia, surgiram no decorrer do século XX algumas novas interpretações para o período final do Império romano; dentre elas, duas destacaram-se e foram amplamente aceitas pela academia brasileira, a Primeira Idade Média[1] e a Antiguidade Tardia.

O conceito de Primeira Idade Média foi muito divulgado no Brasil pelo medievalista Hilário Franco Junior em sua obra intitulada A Idade Média, nascimento do Ocidente lançada no ano de 1986. Franco Junior defende a ideia de que esse período é uma época de transição e construção da Idade Média e a delimita no espaço temporal entre o início do século IV e meados do VIII d.C.

Em sua tese, esse autor procura investigar o período a partir de esferas temáticas nas quais estão agrupados assuntos pertinentes à ordem econômica, demográfica, militar, política, social, eclesiástica, cultural, mental, religiosa, urbana, dentre outras; para construir o seu pensamento sobre Idade Média.

Além disso, o mesmo declara que esse conceito pode ser utilizado apenas no contexto da Europa ocidental, e não se aplica ao leste Europeu e muito menos ao Império Bizantino[2].

Entendemos a proposição de Franco Junior  , entretanto, acreditamos que essas diversas esferas temáticas não devem ser pensadas separadamente, pois nesse período as mesmas estão interligadas e é impossível, por exemplo, estudarmos a questão religiosa independentemente da política. Ademais, cremos que ao utilizarmos um conceito que permeia somente a parte ocidental do Mundo Romano, acabamos por privilegiar em nossa análise somente as características dessa região, esquecendo que nesse período o Império passava por uma transformação que afetava em diferentes graus sua totalidade.

Em contraponto a perspectiva histórica da Primeira Idade Média, há o conceito de Antiguidade Tardia, que versa sobre o mesmo período. Essa denominação foi criada pelo arqueólogo Alois Riegel em 1901, e ganhou força com os estudos filológicos realizados por Johanes Straub. Entretanto, foi apenas na década de 70, com as obras de Henri-Irinée Marrou, História do declínio e queda do Império Romano (1977) e Peter Brown, O fim do Mundo Clássico. De Marco Aurélio a Maomé (1971) que essa perspectiva começou a se consolidar.

Em seus estudos, esses autores partilham da ideia “não decadentista” da História ao afirmar que as sociedades e civilizações não caem ou declinam, mas sim se transformam.

Partindo dessas considerações, acreditamos que esse conceito é fundamental para compreendermos a transição ocorrida entre os mundos clássico e medieval. Em nossa visão, esse período possui características próprias, pois houve permanências e descontinuidades culturais, políticas, econômicas, sociais e religiosas entre esses dois mundos de transição[3].

Gonzalo Bravo[4] aponta que a manutenção do sistema foi possível, pois os “elementos integradores” prevaleceram sobre os “desintegradores”. Entre os primeiros, este inclui a cidade, a lei, a religião e a língua. Já nos segundos, o autor considera que houve transformações nas economias regionais, na classificação social, no status provincial e na condição tributária, além disso, as usurpações políticas, o abuso de poder, a corrupção, entre outros motivos, teriam contribuído para desestabilizar as bases do “velho” sistema imperial.

Ainda assim, segundo Bravo, os elementos integradores prevaleceram sobre os desintegradores e estes últimos não teriam entrado em crise, mas sofreram transformações e se readaptaram para a nova realidade que o período trazia, num processo que caracteriza a Antiguidade Tardia.

Seguindo essa perspectiva que versa sobre as transformações das sociedades, e nos opondo à tradicional visão decadentista da História, utilizaremos em nosso texto o conceito de Antiguidade Tardia.

 As relações entre bárbaros e romanos durante a Antiguidade Tardia

Nesse recorte temporal, as interações entre bárbaros e romanos ultrapassavam a esfera do poder, perpassando também relações sociais e culturais. Esses dois grupos se confrontaram diversas vezes ao longo da Antiguidade, entretanto a partir de meados do século IV, se desenvolvem entre os mesmos outras formas de intercâmbio.

No decorrer dessa quarta centúria, o Império Romano já não contava com um exército suficientemente forte para defender suas fileiras, resultado de diversos problemas internos que ocorriam desde o período do Principado[5]. Para tentar suprir essa carência, o governo imperial começou a recrutar soldados entre as populações bárbaras que viviam nas fronteiras de seu território.

Em nossa opinião, a utilização do termo bárbaro para esses grupos é mais adequada do que a palavra germano, pois o primeiro remete a todas as populações que vivem fora das fronteiras romanas e que não compactuam com sua cultura, já a segunda é utilizada para denominar os habitantes da Germânia, uma região em que viviam diversos grupos bárbaros de diferentes culturas. Desse modo, todas as populações da Germânia são bárbaras, mas nem todos os povos bárbaros são germanos.

Entretanto, apesar de contar com esse exército barbarizado para a defesa de seus territórios, as fileiras romanas ainda estavam aquém das necessidades imperiais, sendo assim, os generais romanos passaram a admitir no ofício militar grandes contingentes de populações bárbaras que atuariam como tropas auxiliares ao Império.

O primeiro grupo bárbaro a alçar maior participação militar no mundo romano foram os godos liderados por Fritigerno em 376 d.C. Pressionado pela expansão das hordas hunas oriundas da Ásia, o líder godo pediu permissão ao imperador oriental Valente para que seu grupo cruzasse a fronteira romana e se estabelece dentro dos limites imperiais. O imperador vendo o potencial reforço que esses grupos trariam a seu exército permitiu que os mesmos se fixassem na região da Trácia, garantindo sua proteção e alimentação, com a condição de que auxiliariam militarmente o Império sempre que requisitados.

Contudo, o descumprimento dos termos do acordo, somado aos maus tratos infligidos pelos funcionários imperais ocasionaram a rebelião desses grupos que deixaram o local de seu assentamento e começaram a saquear a região.

Diante dessa ameaça dentro de seu território, Valente reuniu grande parte do exército oriental e enfrentou as tropas bárbaras perto de Adrianopólis no ano de 378 d.C., onde sofreu uma grande derrota, sendo morto em combate.

Com a destruição da maior parte das legiões orientais, e a morte de seu imperador, a região balcânica passou por um período de instabilidade até a nomeação de Teodósio como chefe dos exércitos orientais pelo imperador ocidental Graciano. As vitórias do primeiro nas campanhas contras os godos permitiram sua proclamação como imperador oriental promovida pelo próprio Graciano em 379 d.C.

Entretanto, apesar do sucesso em suas campanhas militares, o novo imperador nunca conseguiu uma vitória definitiva sobre os godos, sendo obrigado a negociar a paz com esse grupo no ano de 382 d.C. Nesse acordo, os romanos reconheciam os godos como federados e amigos de Roma, concedendo-lhes a permissão de viver no interior do Mundo Romano em troca de sua participação no exército imperial.

Após o tratado, Teodósio promoveu diversas discordâncias entre as lideranças godas, a fim de evitar sua união em torno de um único líder, e consequentemente torná-las mais fáceis de serem controladas. No restante de seu governo, esse exército bárbaro foi de grande importância para diversas vitórias militares do imperador, como por exemplo, no combate travado no ano de 388 d.C. contra o usurpador  Magno Máximo que havia eliminado o imperador ocidental Graciano. Após esse evento, Teodósio unificou o Império sob seu comando e o governou com o apoio das tropas godas até sua morte no ano de 395 d.C. Depois disso, o Mundo Romano foi novamente dividido em duas partes, cabendo o território oriental a seu filho mais velho Arcádio e o ocidental ao mais novo Honório.

No governo desses novos imperadores há uma troca significativa no comando dos exércitos. O soberano, que antes acompanhava os exércitos durante as campanhas, transfere essa função para seus tutores e começa a desempenhar um papel majoritariamente administrativo, passando a maior parte de seu tempo em sua respectiva capital. Com isso, nesse período o comando militar do exército ocidental fica a cargo do nobre bárbaro de origem vândala Estilicão e o oriental com o prefeito do Pretório de Constantinopla Rufino.

É nesse momento em que os godos começam a superar suas antigas divergências e escolhem Alarico como seu rei entre os anos de 395 d.C. e 398 d.C..  Esse novo líder aproveitou-se da quebra, pelo novo imperador oriental, de alguns termos do tratado de paz selado com Teodósio, e iniciou uma nova rebelião com o objetivo de realizar um antigo desejo dos godos, que era a criação de um reino autônomo no interior do Mundo Romano. Além disso, Alarico buscava o reconhecimento de sua posição como rei dos godos frente à administração romana, a fim de reforçar seu poder e tentar ascender a um alto cargo imperial, como o de mestre militar, uma função que permitiria a obtenção de alguma influência na política da corte imperial romana.

Em nossa visão, esse será o grande objetivo das diversas lideranças bárbaras em contato com o Mundo Romano nesse período. Diferentemente do que a historiografia mais antiga afirma, os povos bárbaros não tinham a intenção de destruir o Império Romano, mas sim de obter uma participação política no mesmo, sendo que seus líderes buscavam a todo o momento ter sua autoridade reconhecida pelo poder imperial, além de almejarem cargos militares dentro da própria administração romana.

Durante a primeira década do século V, Alarico se concentrou nesses objetivos, mas sofreu grande oposição dos governos imperiais, em especial do general ocidental Estilicão, que retirou as legiões estacionadas na Britânia e na fronteira da Gália para enfrentá-lo. Após diversas batalhas e sítios a cidades importantes, como Milão, Alarico conquistou alguns títulos romanos e uma grande soma de riquezas, entretanto sem nunca conseguir o título de mestre militar que tanto almejava e nem um local para assentar oficialmente seu povo.

Entretanto, após o assassinato de Estilicão, fomentado por intrigas palacianas, Alarico, tendo seu caminho livre, decidiu pressionar duramente o governo imperial para enfim atingir seus objetivos. No ano de 408 d.C., o rei godo sitiou a cidade de Roma, exigindo para sua retirada uma grande soma de ouro, grãos e um alto título militar. Pressionado pelo senado de Roma, o governo imperial de Ravena foi obrigado a negociar. Durante o período de negociações, Alarico suspendeu seu sítio à cidade para que a população pudesse receber provisões.

Depois de uma longa negociação, Honório cedeu a quantia de ouro e grãos exigida, mas se recusou a conceder o título militar a Alarico. O rei godo não recebeu bem a recusa dessa última exigência e iniciou um segundo cerco à cidade de Roma no ano de 409 d.C..

Contudo, Alarico sabia que apenas um novo cerco à cidade não exerceria pressão suficiente sobre o governo de Ravena. Para que suas exigências fossem atendidas, era necessário algo mais drástico. O rei godo conhecia a situação de descontentamento do senado romano com a atuação de Honório no primeiro cerco à cidade, por isso Alarico resolveu proclamar o líder do senado, Prisco Atálo, imperador. Porém, depois de um longo processo de negociação, Atálo falhou em atender as exigências de Alarico, sendo deposto após poucos meses no poder.

Após depor Atálo, Alarico suspendeu o cerco a Roma e estacionou suas tropas perto de Ravena buscando um novo acordo com Honório. Entretanto, enquanto esperava a abertura das negociações, seu exército foi atacado pelas hostes de um general gótico dissidente, Saro. Percebendo esse ataque como prova de má fé de Honório, Alarico desistiu das negociações e partiu para Roma decidido a vingar-se do imperador através da conquista dessa cidade.

Após um breve período de sítio, Roma foi invadida pelas tropas de Alarico no mês de Agosto do ano de 410 d.C. O rei godo ordenou a seus seguidores para que poupassem apenas os templos cristãos e as pessoas que se refugiassem neles[5].Após três dias de saques, os godos deixaram a cidade em direção ao sul da Península Itálica.

Entretanto, a despeito de todo o tesouro saqueado, o ataque a Roma foi uma grande derrota para Alarico, pois tudo pelo que tinha lutado durante esses últimos anos estava praticamente perdido. Nesse momento, ele continuava sem o seu desejado título militar e seus seguidores sem um lugar para serem oficialmente assentados. A marcha para o sul da Itália tinha como objetivo uma provável passagem para a África, onde ele buscaria um lugar para se fixar com seus comandados. Porém, após uma tentativa frustrada de cruzar o Mediterrâneo, Alarico morre subitamente, sendo sucedido por seu cunhado Ataúlfo.

Concomitante a esses acontecimentos na Península Itálica, o governo imperial ainda tinha que lidar com outros problemas em seus territórios ocidentais. A retirada das tropas da Britânia pelo antigo mestre militar Estilicão havia provocado uma revolta nessa província, tendo sua aristocracia proclamado um nobre da região como imperador, Constantino III. Na região nordeste da Gália, o desguarnecimento das fronteiras provocou a entrada de diversos grupos bárbaros, os de maior concentração foram os alanos, os vândalos e os suevos.

Sabendo do potencial militar dessas populações bárbaras, Constatino III realizou um acordo com as mesmas para aumentar seu efetivo e conseguir confrontar as forças imperiais de Ravena. Após consolidar seu poder na Britânia, o usurpador entrou na Gália e impeliu essas populações a ingressarem na região hispana a fim de poder controlar melhor esse território, que permanecia fiel ao governo de Ravena. No ano de 409 d.C., depois de passarem dois anos percorrendo a província da Gália, esses grupos bárbaros entram na Península Ibérica, se espalhando e causando grande devastação.

Nesse ínterim, o novo rei godo Ataulfo – que havia restabelecido relações com o governo imperial – marchou com suas tropas do sul da Península Itálica para a Gália, provavelmente com a missão de combater Jovino, um nobre da região que também havia se proclamado imperador. Livre, nesse momento, do problema godo, os exércitos ocidentais conseguiram se reorganizar, derrotar e eliminar Constantino III em 411 d.C. na cidade de Arles.

No ano de 413 d.C., finalmente os godos conseguem capturar o usurpador Jovino e o entregam para Ravena. Entretanto, para realizar o pagamento por essa ação, o imperador Honório exigiu que os godos devolvessem Gala Placídia, sua irmã que havia sido raptada por Alarico no saque de 410 d.C.. Em reação a esse pedido e com a intenção de se aproximar da família imperial, Ataulfo causou-se com a mesma na cidade de Narbona em 414 d.C..

Honório, porém, interpretou esse matrimônio como uma ofensa pessoal e ordenou que o novo mestre militar ocidental Constâncio, que substituira Estilicão, realizasse um bloqueio naval e terrestre à cidade de Narbona. Para escapar dessa situação, os godos foram obrigados a fugir para a Península Ibérica. Após essa fuga, algumas facções godas, descontentes com a política de Ataulfo, o assassinaram perto da cidade de Barcino no ano de 415 d.C. e proclamaram como seu líder o nobre Sigerico.

Porém, esse novo rei ficou apenas uma semana no comando de seu povo, pois a ala aristocrática, à qual pertenciam os antigos reis Alarico e Ataulfo, reagiu a essa proclamação, eliminando Sigerico e proclamando o nobre Vália como novo rei dos godos.

Vália reavivou o antigo projeto de Alarico de estabelecer um reino dos godos dentro das fronteiras do Mundo Romano. Logo após sua proclamação, o mesmo tentou atravessar o estreito de Gilbratar com a intenção de assentar sua população no norte da África. Contudo, essa nova tentativa de travessia do Mediterrâneo falhou novamente. Sem possibilidades de garantir a sobrevivência de sua população, Vália se viu obrigado a negociar com Ravena.

Como resultado dessas negociações foi firmado o pacto de 416 d.C., onde os godos eram obrigados a devolver Gala Placídia ao imperador e a se submeterem novamente à condição de exército federado, mas dessa vez com um objetivo claro, eliminar as tribos alanas, vândalas e suevas que haviam entrado na Península Ibérica em 409 d.C..

Essa nova missão ocorre com grande sucesso e em apenas dois anos o exército godo elimina a maioria das populações vândalas e alanas nas regiões mais ricas das Hispânias, sobrando apenas algumas concentrações vândalas e suevas na região que compreende hoje a moderna Galícia, considerada a mais pobre da Península naquele momento.

Contudo, antes que pudesse concluir seu serviço, Vália foi convocado pelo mestre militar Constâncio para comparecer à Gália, onde foi firmado o tratado de 418 d.C., no qual o poder imperial romano cedia o território da Aquitânia para os godos se estabelecerem oficialmente. Com esse acordo, o antigo desejo de Alarico era finalmente realizado, pois o tratado legitimava juridicamente a ocupação desses territórios pela população goda, possibilitando a esse povo estabelecer as bases estruturais para a constituição do primeiro reino romano – bárbaro situado dentro do território romano.

A partir desse momento, se iniciava uma efetiva relação de poderes entre o rei godo e a autoridade romana sobre um domínio que ainda era romano e imperial. A partir da aproximação dos godos com as concepções ideológicas e políticas romanas, ocorre paulatinamente a criação de uma instituição monárquica romano-bárbara que preservava em parte suas tradições, mas que por outro lado assimilava características pertencentes à tradição imperial romana.

Esse tratado foi rompido apenas no governo do rei godo Eurico (466-484 d.C.), que, percebendo a fragilidade do poder imperial ocidental no momento, deixou de reconhecer a autoridade do soberano romano nesses territórios e se recusou a continuar defendendo o mesmo. Esse movimento foi repetido pelos demais grupos bárbaros, como os hérulos, que, retirando o último imperador ocidental do poder em 476 d.C., passaram a se reportar ao imperador do Oriente, Zenão, na tentativa de terem reconhecida sua autoridade sobre a Península Itálica.

Entretanto, a despeito de seu desfecho, no decorrer do século V, o estabelecimento e participação dos godos no Império será objeto de desejo de muitas outras populações bárbaras que habitavam as regiões internas e fronteiriças do Mundo Romano. Para alcançar esse objetivo, esses grupos apropriaram-se de certos elementos da cultura romana com o intuito de aproximar-se politicamente do poder imperial.

Dentro desse processo, queremos primeiramente destacar o aspecto religioso. No decorrer da quinta centúria, diversos grupos bárbaros romperam com suas tradições religiosas pagãs e se converteram à religião romana, o cristianismo. Alguns desses povos, como os vândalos, preferiram seguir a vertente professada pelos godos, o arianismo, entretanto, outros, como os suevos liderados por Requiário, em 448 d.C, e os francos liderados por Clóvis, em 496 d.C., optaram por professar a fé oficial da igreja romana que era o cristianismo niceno.

O segundo elemento que destacaremos é o de estabelecimento de casas reais entre os bárbaros. Antes de aprofundarem seus laços com os romanos, os bárbaros não tinham critérios bem definidos para a escolha de seus líderes. Normalmente, eles eram escolhidos apenas em períodos de guerras e com base em seu valor militar, entretanto, a partir do contato com os romanos, os líderes bárbaros começaram a escolher como sucessores membros de sua própria família, estabelecendo dinastias e configurando uma realeza bárbara. Algumas dinastias famosas entre os grupos bárbaros foram a dos baltos entre os visigodos, a dos amalos entre os ostrogodos, a dos merovíngios entre os francos e a dos hasdingos entre os vândalos.

Um terceiro aspecto apropriado pelos governantes bárbaros foi o sistema jurídico romano. O primeiro rei bárbaro a realizar tal intento foi o rei godo Eurico (466-484 d.C.) que outorgou seu Codex Euricianus baseado no antigo conjunto de leis promulgadas pelo imperador oriental Teodósio II (408-450 d.C.), o Codex Theodosianus. Com isso, Eurico provavelmente tinha como objetivo legar a seus godos um código jurídico escrito e pautado nas tradições ainda mantidas e preservadas, tanto romanas como godas, o que mostrava a força da tradição jurídica e legislativa legada pelo passado imperial romano.

Outro elemento que foi incorporado pelas monarquias bárbaras foi a língua romana, o latim. Apesar de possuírem sua língua materna original, os grupos bárbaros foram aos poucos assimilando o idioma romano, que passou a ser utilizado em documentos oficiais e em sua nascente tradição literária. As primeiras obras históricas e literárias produzidas por indivíduos provenientes desses grupos foram publicadas em idioma romano, como exemplo podemos citar a Historia Francorum de Gregório de Tours, a Historia Gothorum de Jordanes, a Historia Lombardorum de Paulo Diácono e a Historia Gothorum, Vandalorum et Suevorum de Isidoro de Sevilha.

Por fim, os governantes bárbaros emularam também o sistema monetário romano. A partir do século V, alguns reis bárbaros começaram a cunhar moedas, que na maioria das vezes atrelavam seu nome à figura do imperador romano. Como exemplo disso, há a moeda de prata cunhada pelo rei suevo Requiário (448- 456 d.C.), que tem em uma de suas faces a figura do imperador Honório e na outra a inscrição em latim “Por ordem do rei Requiário”.

Através desse processo de apropriação da cultura e das instituições romanas, os grupos bárbaros acabaram se tornando seus grandes perpetuadores. Inclusive muitos de seus reis foram reconhecidos como continuadores e preservadores dessa tradição, como rei ostrogodo Teodorico Amalo, que derrotou os hérulos de Odoacro, em finais do século V, a mando do imperador oriental Zenão, ou Carlos Magno, que eliminou a monarquia lombarda na Península Itálica a pedido do papa Adriano I, sendo em troca disso coroado no ano de 800 pelo papa que o sucedeu, Leão III, como imperador da cristandade pela igreja romana e chamado de restaurador da autoridade imperial no ocidente.

Entretanto, em nossa visão o estabelecimento desse novo império cristão marcado por um imperador de origem bárbara, especificamente carolíngia, eleito pelos homens por sua força política, coroado e legitimado pela igreja cristã romana, dá origem em termos políticos a uma nova temporalidade, a Alta Idade Média, um período permeado pela ideia de construção de uma monarquia universal, cristã e perene.

IMAGENS

Império Romano após a morte de Teodósio. Retirado de LÓPEZ-DAVALILLO LAREA, J. Atlas histórico de España y Portugal. Desde el Paleolítico hasta el siglo XX. Madrid: Editorial Sintesis, 2000, p. 63.

Império Romano após a morte de Teodósio. Retirado de LÓPEZ-DAVALILLO LAREA, J. Atlas histórico de España y Portugal. Desde el Paleolítico hasta el siglo XX. Madrid: Editorial Sintesis, 2000, p. 63.

Os bárbaros na fronteira do Império Romano em fins do século IV e inicio do século V Imagem retirada de: DUBY, Georges. Atlas Historique Mondial. Paris: Larousse, 2001, p. 29.

Os bárbaros na fronteira do Império Romano em fins do século IV e inicio do século V. Imagem retirada de: DUBY, Georges. Atlas Historique Mondial. Paris: Larousse, 2001, p. 29.

As migrações bárbaras nos séculos V e VI Imagem retirada de: DUBY, Georges. Atlas Historique Mondial. Paris: Larousse, 2001, p. 31.

As migrações bárbaras nos séculos V e VI. Imagem retirada de: DUBY, Georges. Atlas Historique Mondial. Paris: Larousse, 2001, p. 31.

San Pedro de la Nave (Zamora) Capitel do zimbório com cena do sacrifício de Isaac. A imagem mostra a influência do cristianismo na cultura visigosda Imagem retirada de: ANDRADE FILHO, Ruy de Oliveira. Imagem e Reflexo: Religiosidade e Monarquia no Reino Visigodo de Toledo (Séculos VI-VIII). São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2012, p.70.

San Pedro de la Nave (Zamora) Capitel do zimbório com cena do sacrifício de Isaac. A imagem mostra a influência do cristianismo na cultura visigoda. Imagem retirada de: ANDRADE FILHO, Ruy de Oliveira. Imagem e Reflexo: Religiosidade e Monarquia no Reino Visigodo de Toledo (Séculos VI-VIII). São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2012, p.70.

Tesouro de Guarrazar (Toledo). Coroa votiva de ouro e pedras preciosas, cruz pendente de tipo bizantino e letras recortadas com o nome de Recesvinto (anos 653-672). Ao colocarem o latim e um símbolo cristão em um objeto real os visigodos se ligavam a tradição imperial romana. Imagem retirada de: ANDRADE FILHO, Ruy de Oliveira. Imagem e Reflexo: Religiosidade e Monarquia no Reino Visigodo de Toledo (Séculos VI-VIII). São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2012, p.130.

Tesouro de Guarrazar (Toledo). Coroa votiva de ouro e pedras preciosas, cruz pendente de tipo bizantino e letras recortadas com o nome de Recesvinto (anos 653-672). Ao colocarem o latim e um símbolo cristão em um objeto real os visigodos se ligavam a tradição imperial romana. Imagem retirada de: ANDRADE FILHO, Ruy de Oliveira. Imagem e Reflexo: Religiosidade e Monarquia no Reino Visigodo de Toledo (Séculos VI-VIII). São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2012, p.130.

 

 Ravenna, San Apollinare in Classe, O Beijo de Judas, detalhe de Jesus preso pelos soldados romanos. Construída quando os ostrogodos estavam na Itália, Ravena foi no século VI a última sede no Ocidente de um império exilado. Nela o mosacio tornou-se a linguagem da fidelidade do Império ao seu Deus. Em San Apollinaire in Classe (549, decorada nos séculos VI e VII, a figura ilustrando o beijo de Judas. Análise e imagem retiradas de: DUBY, Georges. História Artística da Europa. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1995, p.18.


Ravenna, San Apollinare in Classe, O Beijo de Judas, detalhe de Jesus preso pelos soldados romanos. Construída quando os ostrogodos estavam na Itália, Ravena foi no século VI a última sede no Ocidente de um império exilado. Nela o mosacio tornou-se a linguagem da fidelidade do Império ao seu Deus. Em San Apollinaire in Classe (549, decorada nos séculos VI e VII, a figura ilustrando o beijo de Judas. Análise e imagem retiradas de: DUBY, Georges. História Artística da Europa. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1995, p.18.

 

Esse tipo de jóia em forma de águia é uma tradição muito antiga entre as culturas godas. Esta versão com a cabeça de águia em perfil é uma imitação das águias imperiais romanas. O broche acima contém pedras preciosas ajustadas com esmalte. Disponível em https://pt.wikibooks.org/wiki/Civiliza%C3%A7%C3%B5es_da_Antiguidade/Tribos_germ%C3%A2nicas#/media/File:Visigothic_-_Pair_of_Eagle_Fibula_ _Walters_54421,_54422_-_Group.jpg - Aceso em 23/09/15 18:45

Esse tipo de jóia em forma de águia é uma tradição muito antiga entre as culturas godas. Esta versão com a cabeça de águia em perfil é uma imitação das águias imperiais romanas. O broche acima contém pedras preciosas ajustadas com esmalte.
Disponível em https://pt.wikibooks.org/wiki/Civiliza%C3%A7%C3%B5es_da_Antiguidade/Tribos_germ%C3%A2nicas#/media/File:Visigothic_-_Pair_of_Eagle_Fibula_ _Walters_54421,_54422_-_Group.jpg – Aceso em 23/09/15 18:45

Moeda de prata cunhada pelo rei suevo Requiário (448- 456 d.C.). Imagem procedente da Coleção Numismática de Braga. Museu Nacional de Berlim. Ao cunhar na moeda sueva a face do antigo imperador romano Honório (393-423), que governava no período em que o suevos entraram no mundo romano (409 d.C.), o rei suevo pretendia ligar o seu poder a administração romana, mostrando que essa o apoiava e legitimava. No verso encontramos a frase "Por ordem do rei Requiário", que mostra a adoção da língua latina pelos suevos, a cruz cristã no centro, que mostra a adoção do cristianismo de modo para esse povo, e as letras BR que indicam que a moeda foi cunhada na cidade de Braga. Imagem disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Rechiar#/media/File:Rechiarius.jpg. Acesso em 23/09/15 18:46.

Moeda de prata cunhada pelo rei suevo Requiário (448- 456 d.C.). Imagem procedente da Coleção Numismática de Braga. Museu Nacional de Berlim.
Ao cunhar na moeda sueva a face do antigo imperador romano Honório (393-423), que governava no período em que o suevos entraram no mundo romano (409 d.C.), o rei suevo pretendia ligar o seu poder a administração romana, mostrando que essa o apoiava e legitimava. No verso encontramos a frase “Por ordem do rei Requiário”, que mostra a adoção da língua latina pelos suevos, a cruz cristã no centro, que mostra a adoção do cristianismo de modo para esse povo, e as letras BR que indicam que a moeda foi cunhada na cidade de Braga.
Imagem disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Rechiar#/media/File:Rechiarius.jpg. Acesso em 23/09/15 18:46.

Trechos de Fontes

 História contra os pagãos – Paulo Orósio

 “Apesar de tudo isso, imediatamente depois destes feitos, os bárbaros, depreciando as armas, se dedicaram a agricultura e respeitaram os romanos que ficaram ali pouco menos que como aliados e amigos, de forma que já entre eles há alguns cidadãos romanos que preferem suportar liberdade com pobreza entre os bárbaros que preocupação por tributos entre os romanos (Hist.Adv.Pag., VII; 41)”.

Paulo Orósio escreve sua obra após o saque de Roma em 410 e tem por finalidade provar que os tempos cristãos eram muito melhores e menos violentos do que o período anterior a Cristo, diferentemente do que afirmavam os pensadores pagãos.

No trecho o autor afirma que após o período de entrada dos povos bárbaros na Península Ibérica, mais precisamente das tribos de alanos, vândalos e suevos, esses começaram a deixar sua faceta belicosa de lado e iniciaram a construção de vilas e de plantações convertendo-se em agricultores. Na visão do autor os bárbaros foram aos poucos tornando-se amigos e aliados dos romanos ao ponto de alguns cidadãos preferirem estar sob a influência bárbara do que a romana, pois Roma sempre exigia uma pesada carga de tributos a seus cidadãos.

Cidade de Deus – Santo Agostinho

“E depois que Roma fosse tomada por esses bárbaros, que contra toda usança das guerras anteriormente travadas, em reverência a religião cristã perdoaram os que refugiavam nos lugares santos; e eram tão contrários, pelo nome de cristão, aos próprios demônios e aos ritos dos sacrilégios e sacrifícios nos quais fundava Radagaiso sua presunção, que parecia sustentarem guerra muito mais cruel contra eles do que contra os homens. (De civitate Dei; V; XXIII)”.

Agostinho também escreve sua obra após o saque de Roma de 410 e tem a intenção de mostrar na mesma a existência de uma Roma terrena e de uma Roma espiritual que seria eterna. Além disso procura rebater a acusação dos oradores e escritores pagãos de que Roma teria perdido a proteção dos deuses e entrado em decadência após a adoção do cristianismo como religião oficial.

Na passagem acima o autor comenta sobre o saque de Roma feito por Alarico e seus seguidores e louva o fato de esses terem preservados os lugares considerados sagrados pelos cristãos afirmando que nunca antes um invasor tinha feito um gesto desses.  Enaltece também o fato de que Alarico, por ser cristão, teria em sua preferência sustentar uma guerras aos demônios e ao paganismo, que o líder godo Radagaiso era devoto, do que aos seres humanos.

A origem de feitos dos godos – Jordanes

“Mas depois que Teodósio, amante da paz e da nação goda, deixou os assuntos deste mundo, seus filhos começaram a viver de forma faustosa, a arruinar o Império e a privar a suas tropas auxiliares godas das contribuições acertadas, por isso crescia seu descontentamento com eles. Temendo que seu valor desaparecera por culpa de uma paz tão prolongada, os godos proclamaram rei a Alarico, que pertencia a ilustre linhagem dos Baltos, a segunda em nobreza depois dos Amalos. Esta família havia recebido fazia muito tempo entre os godos por sua bravura o nome de “Balta”, que significa “audaz”.”

Em sua obra, Jordanes procura construir uma história dos godos, narrando sua história, sempre de modo laudatório, desde sua raiz mítica na Escandinávia até o período do governo do Imperador bazantino Justiano (483-565). No decorrer de seu texto o autor tenta explicar a origem comum desse povo e sua posterior divisão em visigodos e ostrogodos.

No fragmento acima o autor procura justificar a eleição do rei godo Alarico com base na falta de compromisso dos filhos de Teodósio com os acordos estabelecidos junto ao povo godo pelo antigo imperador. Enaltece também o fato de Alarico pertencer a linhagem goda dos baltos que só perderia em importância para a dos amalos, estirpe do rei ostrogodo Teodorico I. Essa última afirmação é possivelmente uma construção histórica derivada provavelmente da influência que o governo ostrogodo tinha no período.

NOTAS

[1] Esse termo é citado no material didático “Estudos de História” como um termo atual para trabalharmos o período (unidade 3, p.93).

[2]ANDRADE FILHO, Ruy de Oliveira. Entrevista Hilário Franco Júnior. Antiguidade Tardia ou Primeira Idade Média? In: Relações de poder, educação e cultura da Antigüidade e Idade Média. Santana de Parnaíba, SP: Solis, 2005, p. 233-243.

[3] Estamos em consonância com a opinião de Renan Frighetto no livro Cultura e Poder na Antiguidade Tardia. Curitiba: Juruá, 2000.

[4] BRAVO,Gonzalo. ¿Crisis del Império Romano? Desmontando um tópico historiográfico. In: Vinculos de História, núm. 2, p.19

[5] Vale ressaltarmos que os grupos godos liderados nesse momento por Alarico haviam sido cristianizados em sua entrada no Império Romano durante o governo de Valente. Entretanto, essa conversão foi realizada na vertente do cristianismo professada por esse imperador, o arianismo, a qual diferia da oficial no governo de Honório, que era a nicena. Mesmo assim, acreditamos que Alarico poupou os templos cristãos em Roma para evitar uma indisposição com a igreja romana e a maioria de seus seguidores.

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