Cristianismo ou Cristianismos?

Cristianismo ou Cristianismos? O processo de criação e fortalecimento da ortodoxia cristã frente suas vertentes “hereges”

Danilo Medeiros Gazotti

(Doutorando PGHIS/UFPR – NEMED)

Introdução

Ao trabalhar o cristianismo em sala de aula alguns materiais didáticos levam a uma falsa impressão de que essa religião sempre foi homogênea e unificada desde o século I a.C. quando Jesus teria repassado seus ensinamentos para seus discípulos e lhes pedido para divulgaram sua fé ao mundo.

Na realidade a criação e fortalecimento do cristianismo foi um processo de longa duração que demorou muitos séculos até sua consolidação. Desde sua morte os ensinamentos de Jesus foram difundidos e reinterpretados diversas vezes por seus seguidores ao longo da Antiguidade até o ponto em que começaram a existir diversas comunidades no decorrer do Império Romano que denominavam-se cristãs, mas que tinham diferentes interpretações acerca dos preceitos cristãos.

Sem uma instituição para unificar seu pensamento, e sendo perseguido pelo poder imperial romano, o cristianismo permaneceu extremamente fragmentado até o século IV d.C., quando o imperador Constantino promulgou o Edito de Milão em 313 d.C. onde estabelecia que o Império seria neutro em relação ao credo religioso, concedendo dessa forma liberdade religiosa a todos os cultos e religiões professadas no período, entre elas o cristianismo, legitimando sua existência  e desestabelecendo o paganismo como religião oficial do Império.

A partir da tolerância a seu credo os cristãos buscaram a formação de uma instituição que poderia estabelecer as bases de seu culto e unificar a sua fé, fortalecendo sua crença e possibilitando sua maior difusão pelo mundo conhecido.Em nosso texto procuraremos mostrar como ocorreu a formação de uma igreja cristã na primeira metade do século IV d.C. e como esta se esforçou para unificar seus dogmas frente as demais vertentes do cristianismo que contestavam sua forma oficial e continuavam a professar sua própria interpretação do evangelho.

A criação de uma unidade cristã no século IV d.C.

Como mencionado anteriormente o cristianismo na primeira metade do século IV era uma religião descentralizada e professada de diferentes maneiras no interior do Império Romano. Nesse período a “Igreja” como conhecemos atualmente era chamada de ecclesia um termo que no latim tardio significava “comunidade” que era definido como um grupo de pessoas que seguia os ensinamentos cristãos.

Os líderes desses agrupamentos eram os bispos, que eram representantes locais das diversas comunidades cristãs espalhadas pelo território romano e que rivalizam o seu poder e influência entre si. Nessa época não havia a figura de um papa como líder máximo da cristandade, sendo que o bispo de Roma tinha grande parte de seu poder limitado a região da Península Itálica. A Igreja como uma instituição unificada, consolidada, influente e liderada por um pontífice máximo atingiu essa plenitude somente no Período Medieval.

No século IV d.C. a maior preocupação da comunidade cristã era estabelecer uma unidade em seu pensamento e fortalecer sua crença nos diversos núcleos cristãos no decorrer do território romano. Devido a essa necessidade e ao apoio imperial que receberam de Constantino em 325 foi convocado o Primeiro Concílio Ecumênico do cristianismo realizado na cidade de Nicéia. Esse encontro universal foi a primeira tentativa da comunidade cristã de obter um consenso de seu pensamento através de uma assembleia de bispos que representaria toda a cristandade.

O Concílio discutiu, entre outros assuntos, a questão ariana que era uma interpretação diferente do evangelho cristão professada pelo presbítero Ário e seus seguidores a qual havia ganhando muita força na porção oriental do Império.

No decorrer das atividades alguns bispos estavam preocupados com a unidade da ecclesia, e conjuntamente a isso com unidade imperial romana através da fé, e outros com a distorção dos princípios cristãos. Para preservá-la a doutrina ariana foi considerada herética e Ário e os bispos que a defenderam foram exilados do império. Após esse ato o concílio tomou como dogma a profissão de fé proposta por Eusébio de Cesárea acrescido de alguns trechos a fim de evitar qualquer ambiguidade por parte dos arianos.

A partir desta data os bispos que seguiam a doutrina oficial da ecclesia, passaram a se chamar nicenos, e tiveram como função promover a manutenção dos dogmas ortodoxos e o combate a qualquer outra interpretação do evangelho, mantendo desse modo a ecclesia unificada. Entretanto, apesar do estabelecimento das bases da fé católica em Nicéia, a unidade cristã era algo que estava longe de ser alcançada. Durante a Antiguidade Tardia diversas interpretações do cristianismo surgiram e rivalizaram com a ortodoxia cristã, sendo suja legalidade debatida em distintos concílios nesse período.

A essas diferentes interpretações do evangelho a ecclesia, seguidora dos preceitos de Niceia, denominou de heresias. Uma heresia era uma interpretação equivocada do evangelho e dos dogmas cristãos, sendo considerada falsa pela vertente oficial ortodoxa. Apesar da oposição dos ortodoxos muitas dessas heresias tiveram um grande crescimento no século IV. A vertente herética de maior aceitação foi justamente a ariana que teve entre seus seguidores alguns imperadores romanos, como Constâncio II (317 d.C – 361 d.C) e Valente (328 d.C. – 368 d.C), e algumas das monarquias romano-bárbaras dos séculos seguintes como a dos visigodos, vândalos, suevos e ostrogodos.

Além do arianismo, que foi aceito em larga escala no Império, houve outras heresias que foram professadas especificamente em algumas regiões do Mundo Romano, como o Priscilianismo na Península Ibérica e o Nestorianismo nos territórios orientais.

Nos próximos itens apresentaremos mais detalhadamente essas diferentes interpretações do evangelho, seus idealizadores e suas áreas de influência, além disso apontaremos suas principais diferenças para a doutrina ortodoxa procurando demonstrar a pluralidade do pensamento cristão no período.

O Arianismo

Esse termo provém do nome de seu criador, o Presbítero Ário. Esse religioso nasceu na porção oriental do Império Romano provavelmente entre os ano de 256 d.C. e 280 d.C. Nascido em uma família abastada, Ário teve sua formação clássica iniciada em Alexandria que no período era conhecida como cidade central do pensamento helenístico.

Aos 20 anos mudou-se para Antioquia onde se tornou discípulo do bispo Luciano. Após sua ordenação como sacerdote pelo Bispo de Áquilas regressou a Alexandria em 312 d.C. onde dirigiu  a igreja de Baucális, no Egito. Foi a partir desse momento que Ário adquiriu certa liberdade para começar a divulgar seu pensamento.

A interpretação de Ário estava preocupada em salvaguardar, dentro do dogma trinitário, a superioridade de Deus sobre as demais partes, pois este não foi gerado e não teve um princípio. Preocupado com a questão monoteísta do cristianismo o religioso declarou que a essência de Deus era indivisível e por isso sua divindade não poderia ser compartilhada. Desse modo, Ário, afirmava que Jesus não devia ser considerado uma figura divina como Deus, pois não compartilharia da natureza e da substância do Pai [1]. Entretanto, apesar de não compartilha-la a substância do Filho seria em sua visão semelhante a do Pai.

A perspectiva de Ário contrastava com o ideal cristão da Santíssima Trindade que professava a existência de um só Deus que foi revelado a partir de três pessoas distintas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo que estariam em uma união e comunhão perfeita constituindo um perfeito modelo transcendente para as relações interpessoais.

Após o início de sua pregação, Ário, começou a sofrer críticas de alguns bispos orientais com do bispo Alexandre, responsável pela comunidade cristã de Alexandria. Este organizou um concílio local, com bispos do Egito e Líbia, onde em 318 d.C. condenou e baniu Ário, seus partidário e sua doutrina.

Entretanto como no período não havia uma hierarquia entre os episcopados, Ário buscou apoio em outras regiões como Ásia Menor, Palestina e Bitínia. Dessa forma houve outro Concílio entre 319-320 d.C. onde Ário revogou sua condenação. A partir desse momento ocorreram diversos concílios locais que trataram sobre a questão ariana, sempre um revogando a decisão do anterior.

Diante da indefinição desse debate teológico e de um possível cisma na comunidade cristã, o imperador Constantino convocou o Concílio Ecumênico realizado na cidade de Nicéia em 325 d.C.

Diferentemente dos anteriores nesse concilio foram convocados a maioria dos bispos cristãos do período, com representantes do Egito, Síria, Palestina, Ásia Menor, Gália, África, Hispânia e Península Itálica, mas sendo sua maior parte provenientes do Império oriental, totalizando cerca de trezentos episcopais.

Como mencionamos no tópico anterior, a interpretação de Ário foi considerada herética, ele e seus seguidores foram exilados do Império e a partir desse momento a comunidade cristã passou a professar o credo estabelecido em Niceía, sendo seus seguidores conhecidos como nicenos e sua versão do cristianismo chamada de ortodoxa.

Apenas alguns meses após o Concilio, Ário e seus apoiadores foram reintegrados ao Império e restabelecidos na comunidade cristã como ortodoxos, entretanto em sua essência permaneceram arianos. O imperador Constantino apoiou até sua morte a vertente ariana do cristianismo quando foi batizado pelo bispo ariano Eusébio de Nicomédia, provavelmente por considerar em sua visão essa vertente mais forte que a ortodoxia.

Apesar do estabelecimento da fé de Nicéia em 325 d.C., e a morte de Ário em 335 d.C. o arianismo não encontrou seu fim nesse momento, tendo seus ideais propagados principalmente na porção oriental do Império, onde religiosos adeptos dessa vertente  tentaram inúmeras vezes reverter a decisão de Nicéia.

Entretanto no decorrer do século IV d.C. os arianos deixaram de ser um grupo unificado e começaram a se dividir em grupos menores com diferentes interpretações dos ensinamentos de Ário. Os três principais são os homeus, os semi-arianos e os eunomianos.

Os homeus eram os arianos que compartilhavam as ideias de Ário, ou seja, aceitavam a ideia de semelhança entre Pai e Filho, mas consideravam o pai superior ao filho com somente este tendo a natureza divina. Essa corrente foi a professada por imperadores posteriores como Constâncio II e Valente.

Os semi-arianos eram os seguidores que variavam seu pensamento, defendendo em um momento a comunhão perfeita entre Pai e Filho e em outro apenas a semelhança de sua natureza. Esse grupo teve como seu maior expoente o bispo Eusébio de Cesárea.

Por fim os eunomianos surgiram a partir de 350 d.C. quando seu mentor Aécio e seu discípulo Eunômio de Cízico reelaboram os ensinamentos de Ário e começaram a pregar a total diferença entre Pai e Filho. Apesar de não ser a corrente ariana dominante, esse grupo obteve privilégios no decorrer do século IV d.C principalmente por se posicionar como ariano nos embates contra os nicenos.

Mesmo com essa divisão o arianismo floresceu no Império nas décadas seguintes principalmente sobre os governos de Constâncio II e de Valente que foram imperadores declaradamente arianos e que através de seu poder político-religioso legitimaram o arianismo e perseguiram a ortodoxia na época de seus governos.

Em 360 d.C. por exemplo Constâncio II promoveu um Concílio em Constantinopla onde proclamou que o arianismo deveria ser a verdadeira fé do Império e pela persuasão ou força o episcopado deveria seguir essa denominação.

O embate político-religioso entre o arianismo e a ortodoxia permaneceu forte até a chegada de Teodósio (379 d.C. – 395 d.C.) ao poder. Com fortes preferências pela ortodoxia, esse declarou o arianismo novamente como doutrina herética e pelo decreto Cunctos populos impôs a ortodoxia ao Império, caçou os direitos e expulsou os bispos arianos do território romano. Suas decisões foram ratificadas pelo Concílio de Constantinopla em 381 d.C. onde, além disso, concedeu a primazia das decisões eclesiásticas as sedes episcopais de Roma e de Constantinopla, ou seja, a partir desse momento ficava estabelecido a superioridade político-religiosa dessas comunidades sobre as demais.

Apesar de ainda contar com inúmeros seguidores nesse período, com essas medidas promulgadas por Teodósio, o arianismo foi aos poucos perdendo sua influência político-religiosa dentro do Império Romano. Entretanto o mesmo ainda permaneceria por alguns séculos como religião oficial de diversos grupos bárbaros, como dos visigodos, vândalos, burgúndios, suevos e posteriormente ostrogodos e lombardos, que começavam a ascender político-militarmente justamente nesse período finais do século IV d.C e início do século V d.C.

O Priscilianismo

Apesar do protagonismo nos debates em torno do arianismo houve também no século IV d.C. o surgimento de outras interpretações do evangelho consideradas igualmente hereges mas que não obtiveram a mesma aceitação e prestígio político-religioso que o primeiro. Algumas delas, inclusive, desenvolveram-se apena em âmbito regional, como é o caso do Priscilianismo, que se originou e se difundiu nas províncias hispânicas.

Essa vertente ibérica do cristianismo teve origem nos ensinamentos do bispo Prisciliano de Ávila. Sobre este temos poucas informações que em sua maioria provém da crônica escrita por Sulpício Severo no início do Século V, a qual é muito crítica ao religioso e sua interpretação do cristianismo.

Apesar das poucas informações sobre sua origem é um consenso entre os historiadores que Prisciliano era de uma família conhecida e muito rica da província hispânica e que recebeu em sua formação influências de uma mulher nobre, chamada de Ágape, e um retórico, conhecido como Helpidio.

Através dessas influências, e ainda como um laico, Prisciliano forjou uma doutrina com regras e dogmas muito diferentes da corrente oficial da comunidade cristã. Em síntese os principais preceitos do priscilianismo compreendiam uma elevada vida ascética, que se manifestava através do celibato e da abstenção do álcool e da carne, um novo estudo dos textos cristãos incluindo os textos apócrifos rejeitados no Concílio de Nicéia e na defesa da igualdade entre os sexos e extratos sociais de seus seguidores.

Por meio de sua retórica e da influência de sua família, Prisciliano conseguiu atrair um grande número de adeptos para sua seita, entre esses, jovens, nobres, mulheres e bispos outrora ortodoxos, atingindo diferentes extratos sociais na Península Ibérica.

Após seu crescimento na região essa nova vertente cristã começa a incomodar as autoridades ortodoxas, sendo denunciada pelo bispo Hidácio de Mérida que convoca o I Concílio de Zaragoza com o objetivo de declarar sua ilegalidade. Apesar de não citar nominalmente Prisciliano e seus seguidores, esse concílio realizado em 380 d.C., condenou algumas das práticas de sua seita, como a igualdade eclesiástica entre homens e mulheres e sua elevada ascese.

Após a realização do concílio os bispos Instancio e Salviano elevam Prisciliano à condição episcopal, provavelmente em uma tentativa de fortalecer este e seu movimento. Entretanto essa eleição foi considerada irregular pois não respeitava os preceitos da legislação eclesiástica do período. Devido a isso, Prisciliano foi considerado um bispo intruso e encontrou em sua elevação o princípio de sua ruína.

Logo após a eleição os priscilianistas viram seu movimento ter um novo revés. O bispo Hidácio conseguiu uma ordem do Imperador Ocidental Graciano para que Prisciliano e seus seguidores fossem expulsos de suas sedes. Para tentar reverter sua situação os bispos priscilianistas viajaram junto a seu líder tentando seu reconhecimento político-religioso perantes autoridades episcopais, como Ambrósio de Milão e imperiais como de Macêdonio, membro da corte imperial de Graciano.

Apesar do bispo de Milão ter se recusado a recebê-los, Prisciliano e seus seguidores conseguiram a aprovação da corte de Graciano para que fossem restituídos a suas igrejas. Após esse reconhecimento, e a morte de Salviano por causas naturais, Instancio e Prisciliano regressaram a Península Ibérica e reassumiram suas sedes.

Os priscilianistas tinham alcançado uma grande vitória, pois haviam conseguido o reconhecimento imperial que tanto almejavam. Mas tudo mudou drasticamente quando Magno Máximo que era comandante militar da Britânia, derrotou e assassinou Graciano em 25 de agosto de 383 d.C.. O imperador usurpador decidiu celebrar um sínodo em Burdigala, com o objetivo de resolver definitivamente o problema do priscilianismo.

Nesse momento o Mundo Romano era comandado por três imperadores diferentes, Teodósio no Oriente e Valentiniano II/Magno Máximo conjuntamente no Ocidente, sendo essa divisão tolerada por Teodósio.

Esse novo concílio foi extremamente desfavorável aos priscilianistas. Instâncio foi deposto do episcopado e Prisciliano prevendo o mesmo destino para si teria pedido para não ser julgado pelos bispos e que seu caso fosse decidido por Magno Máximo.

Após o fim das deliberações o bispo de Ávila foi conduzido a Tréveris, residência do novo imperador, possivelmente com a intenção de apoiar publicamente a causa de Magno Máximo e em troca receber novamente a legitimação imperial para seu culto que a tinha perdido com a morte de Graciano.

Entretanto após sua chegada em Tréveris, Prisciliano e seus seguidores foram entregues por Máximo ao prefeito Evodio, um homem enérgico e inflexível, para serem julgados. Depois de interrogar Prisciliano, provavelmente através de tortura, o mesmo foi declarado culpado e preso. A decisão de Evodio foi levada a Máximo o qual decidiu que a pena de Prisciliano seria a morte, sendo sua sentença executada entre os anos de 484 d.C. a 486 d.C.

Contudo, da mesma maneira que a questão ariana, o priscilianismo não se findou com a morte de seu principal líder e idealizador. Seu movimento foi tão forte na Península Ibérica, com especial destaque para a região da Gallaecia, que continuou se propagando no restante do século IV e no decorrer do século V. Prova disso foi a realização do I Concílio de Toledo no ano de 400, o qual continha artigos que foram redigidos justamente contra o priscilianismo.

Porém os seus resultados não foram os desejados, pois ainda que alguns priscilianistas tivessem aceitado as decisões do concílio e renunciassem a suas crenças, outros aumentaram ainda mais sua fé.  O mal estar provocado por essa situação esteve a ponto de provocar um cisma na comunidade cristã hispana, pois nenhuma parte queria ceder sua posição. Ante essa situação os clérigos hispanos favoráveis ao consenso com os priscilianistas pediram que o bispo de Roma intervisse na situação. Com isso Inocêncio I (401-417) apoiou a reconciliação e castigou com dureza quem se opôs ao diálogo. Mesmo assim essas medidas não conseguiram resolver o conflito e os desentendimentos entre nicenos e priscilianistas continuaram presentes ao longo do século V.

Nestorianismo

A presente alcunha provém do nome do bispo Nestório de Alexandria que promoveu discussões teológicas acerca do cristianismo na porção oriental do Império na primeira metade do século V. Nesse período os debates promovidos por esse bispo também encontraram forte oposição da vertente ortodoxa cristã levando Nestório a ter diversos embates com o bispo Cirilo de Alexandria em um evento que ficou conhecido na história como a “Controvérsia nestoriana”.

Estima-se que Nestório tenha nascido no ano de 386 d.C. na província da Anatólia, recebendo sua formação do bispo Teodoro de Mopsuéstia em Antioquia. Destacado por sua oratória ganhou muito prestígio no período, sendo indicado ao episcopado em Constantinopla no ano de 428 d.C. pelo imperador oriental Teosódio II.

Após sua elevação, Nestório iniciou novas discussões sobre o dogma trinitário, pois não acreditava ser possível uma união entre as vertentes humana e divina. Em sua visão a natureza divina de Cristo, que era coeterna a do Pai, não teria sido passível de sofrimento e nem teria sido gerado por uma mulher, no caso Maria. Com isso propôs que ao invés da mãe de Jesus ser chamada da “Portadora de Deus” ela passasse a ser denominada como a “Portadora de Cristo” [2], pois acreditava que como Deus era eterno este não poderia ter nascido.

Como crítico as interpretações de Nestório despontou a figura político-religiosa de Cirilo de Alexandria que afirmava que no momento da encarnação de Jesus na Terra teria ocorrido uma perfeita união das duas naturezas, de modo que poderia se chamar o filho de uma natureza encarnada de Deus (sua Palavra), podendo-se com isso manter o epíteto de Maria como a de “Portadora de Deus”.

Além de considerar equivocadas as pregações de Nestório, Cirilo tentava através de seu debate enfraquecer político-religiosamente o bispo de Constantinopla e aumentar sua influência na porção oriental do Império.

Confiante no apoio do imperador Oriental Teodósio II, Nestório articulou a convocação de um Concílio Ecumênico, que se realizaria na cidade de Êfeso em 431 d.C. Entretanto, dias antes do início do sínodo, Nestório recebe uma carta do bispo João de Antioquia, chefe da delegação oriental e seu aliado, de que iria atrasar-se dado a distância da cidade de suas províncias.

Aproveitando-se da situação, Cirilo, inicia os trabalhos no Concílio, mesmo sem a presença da delegação de João. Sem o apoio de seus aliados, Nestório se recusou a participar dos debates e acabou sendo deposto do episcopado, sendo substituído na sé de Constantinopla pelo bispo Maximiano.

Entranto ao chegar em Êfeso, João de Antioquia e sua delegação convocam um novo sínodo e depõem Cirilo que é preso a mando do imperador Teodósio II. Contudo, apenas alguns meses após o concílio, Cirilo retorna a Alexandria e reassume seu episcopado, provavelmente através de subornos aos funcionários imperiais.

Nestório não conseguindo reverter sua condenação retorna a seu mosteiro de origem na Síri, até ser desterrado para outro, localizado no deserto egípcio. Porém mesmo com deposoção de seu líder a questão nestoriana permaneceu sem solução. Nos anos seguintes Teosódio II forçou um acordo entre os bispos orientais, tendo João de Antioquia aceitado a deposição de Nestório e Cirilo se comprometido a abrandar suas declarações em torno da unidade de Cristo.

Apesar dos acordos com o bispo de Antioquia, Cirilo saiu fortalecido político-religiosamente da querela, sendo considerado como um transmissor da “verdadeira fé”, tendo suas formulações reconhecidas como ortodoxas e posteriormente recebendo o título de Doutor da Igreja. A despeito de ser considerada herética pela comunidade cristã, tal como as outras vertentes apresentadas, o nestorianismo não se findou com a condenação de seu líder, sendo seu pensamento partilhado e difundido por diversos religiosos na porção oriental do Império e suas ideias difundidas inclusive durante o período bizantino.

Considerações Finais

Ao longo do texto procuramos demonstrar como a “igreja cristã” era uma comunidade permeada por disputas político-religiosas e marcada pela fragmentação de sua doutrina no período inicial da Antiguidade Tardia.

Apesar de termos nos focado somente em três heresias no decorrer de nosso texto, a diversidade do pensamento cristão foi enorme nesse período, tendo existindo centenas delas no espaço da cristandade, sempre combatidas e condenadas pelos representantes da “fé verdadeira”.

Com isso pretendemos mostrar como a unidade política e dogmática da atual Igreja Católica foi algo construído ao longo dos séculos, através de interferências políticas e debates eclesiásticos, não sendo esta uma instituição coesa e perfeita desde sua fundação.

IMAGENS

A difusão do cristianismo no Império Romano até 395

A difusão do cristianismo no Império Romano até 395 –

Imagem retirada de: DUBY, Georges. Atlas Historique Mondial. Paris: Larousse, 2001, p. 30

O ambiente em que se difundiu o cristianismo esta arraigado de múltiplas tradições que foram favorecidas pela diversidade cultural do Império. Um exemplo são sarcófagos como este em que são expostos diversos acontecimentos: Adão e Eva, a cura de um cego, a ressurreição de Lázaro, a transformação da água em vinho e o sacrifício de Isaac. Imagem e análise retiradas de: PLÁCIDO, Domingo. Hispania Antigua. In: FONTANA, Josep; VILLARES, Ramón. Historia de España: volume I. Sabadell, Barcelona: Crítica/ Marcial Pons, 2009, p. 204-205

O ambiente em que se difundiu o cristianismo esta arraigado de múltiplas tradições que foram favorecidas pela diversidade cultural do Império. Um exemplo são sarcófagos como este em que são expostos diversos acontecimentos: Adão e Eva, a cura de um cego, a ressurreição de Lázaro, a transformação da água em vinho e o sacrifício de Isaac.
Imagem e análise retiradas de: PLÁCIDO, Domingo. Hispania Antigua. In: FONTANA, Josep; VILLARES, Ramón. Historia de España: volume I. Sabadell, Barcelona: Crítica/ Marcial Pons, 2009, p. 204-205

moeda constantino

Cunhagem póstuma de Constantino realizada na cidade de Antioquia, entre os anos de 347-348. Verso: DV CONSTANTINI-NVTS PT AVGG. Reverso: SNAMP. No verso Constantino está com o véu de pontífice da religião romana, título que os imperadores romanos ostentaram até Teodósio I. No verso o imperador está conduzindo uma quadriga em marcha, encimado por uma fênix. Uma mão divina, vinda do sol, apressa em recebê-lo . Disponível em: http://www.forum-numismatica.com/viewtopic.php?f=55&t=65537 - Acesso em 28/08/15 20:28

Cunhagem póstuma de Constantino realizada na cidade de Antioquia, entre os anos de 347-348. Verso: DV CONSTANTINI-NVTS PT AVGG. Reverso: SNAMP. No verso Constantino está com o véu de pontífice da religião romana, título que os imperadores romanos ostentaram até Teodósio I. No verso o imperador está conduzindo uma quadriga em marcha, encimado por uma fênix. Uma mão divina, vinda do sol, apressa em recebê-lo .
Disponível em: http://www.forum-numismatica.com/viewtopic.php?f=55&t=65537 – Acesso em 28/08/15 20:28

Trechos de Fontes

 Contra Eunômio – Basílio de Cesarea

“O primeiro, que temos conhecimento, que ousou dizer claramente que o Filho é diferente do Pai, segundo sua substância, foi o sírio Aécio. Não sabemos com quem apreendeu os pensamentos que deram origem às suas ideias, nem como se introduziu na Igreja de Deus e, por meio de uma corrupção, seu discípulo Eunômio apresentou sua apologia (BASÍLIO, I, 1, 27-36).”

“E como o mal é único nesses dois homens [Aécio e Eunômio], fica claro que através do discípulo podemos conhecer o mestre. Este também será julgado pelo erro de seu discípulo, pois foi dele que saíram as sementes da impiedade (BASÍLIO, I, 1, 41-44).”

“Sob o pretexto de uma apologia, ele capta a benevolência de seu público levando-os a crerem em suas calúnias, pois estas são amenizadas quando expostas sob este artifício (BASÍLIO, I, 2, 1-4).”

Basílio de Cesarea escreveu esse texto para refutar o discurso feito por Eunômio de Cízico em sua obra Apologia onde esse apresentava sua defesa pessoal ante os juízes do Concílio de Constantinopla de 360 d.C.

No trecho acima, Basílio apresenta Eunômio e seu mestre como os criadores de uma interpretação equivocada do evangelho e os acusa de se aproveitar da benevolência de seu público para enganá-los com sua proposta.

Crônica – Sulpício Severo

“Assim mesmo vaidosíssimo e mais orgulhoso do que o normal de seus conhecimentos profanos; inclusive se crê que desde sua juventude praticou a magia. Quando aceitou essa doutrina de perdição, com sua capacidade de persuasão e suas qualidades de captação quis compartilha-la a muitos nobres e a muitos homens do povo (S.Severi, Chr; II; 46; 5)”.

“Ademais, as mulheres, ávidas de novidades, indecisas na fé e com curiosidade por tudo, afluíam em massa; pois fazendo festa de humildade em seu aspecto e presença havia logrado respeito e veneração por todo mundo (S.Severi, Chr; II; 46; 6)”.

“E paulatinamente a gangrena desta heresia se havia apoderado da maior parte da Hispania, inclusive alguns bispos indesejáveis, entre eles Instancio e Salviano, não só haviam acolhido a Prisciliano de comum acordo, senão sobre o aspecto de uma espécie de conspiração (S.Severi, Chr; II; 46; 7)”.

Sulpício Severo escreveu sua crônica em finais do século IV d.C. onde pretendia escrever uma história da igreja desde seu princípio até sua contemporaneidade. Sua obra é um dos mais importantes relatos existentes acerca sua a vida de Prisciliano e a origem de sua seita cristã, o priscilianismo. Por ser um apoiador da vertente cristã ortodoxa, seu relato é extremamente crítico a Prisciliano e seus seguidores.

Na passagem acima, Severo tenta descaracterizar Prisciliano a seu leitor o acusando de ser orgulho, profano e praticante de magia e afirmando que através de sua persuasão e retórica teria conseguido convencer os nobres e religiosos de sua região a seguir sua errônea doutrina. Além disso, no segundo trecho temos uma crítica direcionada especialmente as mulheres, onde severo condiciona sua adesão em massa a sua ingenuidade e falta de fé.

Carta de Cirilo de Alexandria para Nestório

“[…] Gostaria agora de voltar-me de novo para o que mais me convém e lembrá-lo, como um irmão em Cristo, que […] (3) Nós dissemos que, embora as naturezas sejam diferentes, elas foram reunidas para uma verdadeira unidade, existindo um Cristo e Filho em ambos. As diferenças das naturezas não são destruídas pela união, mas sim que a divindade e a humanidade formaram para nós um Senhor Jesus Cristo e um Filho através da combinação inefável e incompreensível para uma unidade. Então, embora Ele tenha existência anterior no tempo e foi gerado do Pai, Ele é dito ter sido gerado também conforme a carne de uma mulher. […] (7) E eu escrevo essas coisas agora por amor em Cristo, exortando-o como a um irmão e chamando-o a testemunhar, na presença de Cristo e dos seus anjos escolhidos, que você pensa e ensina essas doutrinas conosco, a fim de que a paz das Igrejas possa ser salva e os laços de amor e concórdia entre os sacerdotes de Deus continuem intactos (Carta n° 4, de Cirilo para Nestório)”.

No fragmento acima retirado de uma carta Cirilo para Nestório redigida no início do ano de 430 d.C. o bispo de Alexandria começa a questionar as interpretações de Nestório acerca da natureza de Cristo o relembrando quais eram as concepções oficiais da ortodoxia sobre a questão.

Carta de Nestório para Cirilo de Alexandria

“Para o mais piedoso companheiro e amoroso em Deus, Cirilo, Nestório envia saudações no Senhor. Eu dispenso os ultrajes contra mim das suas surpreendentes cartas como merecedores de tolerância e de serem respondidas no tempo devido e nas circunstâncias próprias. Mas quanto ao que não permite silêncio, uma vez que envolve grande perigo se ele for mantido, na medida em que eu possa vou tentar fazer uma declaração clara e concisa, sem exceder-me na lábia, precavendo-me contra a náusea do obscuro e indigesto tédio. […] (6) Eu louvo a distinção das duas naturezas em acordo com a definição de humanidade e divindade e a conjunção delas em uma pessoa. (Carta n° 5, de Nestório para Cirilo)”.

Nestório defendendo-se das insinuações de Cirilo e reafirmando a crença em suas interpretações do evangelho. Após o episódio, Cirilo o acusa de herético e começa sua campanha de perseguição a seus ideias.

NOTAS

[1] PAPA, Helena Amália. A contenda entre Basílio de Cesaréia e Eunômio de Cízico (Séc. IV d.C.): uma análise político-religiosa. São Paulo: Annablume; Fapesp, 2013.

[2] FIGUEIREDO, Daniel de. A Controvérsia Nestoriana e suas implicações Político-administrativas nas cartas de Cirilo de Alexandria (Séc. V d.C.). Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade Ciências Humanas e Sociais. Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Franca, 2012, p. 12.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Fontes para estudo do tema

BASILE de Cesarée. Contre Eunome. Introduction, Traduction et notes de Bernard Sesboüé. Tome I, nº299; Tome II, nº 305. Paris: Cerf, 1982-1983.

BASÍLIO DE CESAREIA. Tratado sobre o Espírito Santo. Texto traduzido

por Roque Fragiotti. São Paulo: Paulus, 1998.

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