Pagãos e cristãos no século IV d.C.

Algumas relações entre pagãos e cristãos durante o século IV d.C.

Janira Feliciano Pohlmann

(Doutoranda em História Antiga pelo programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Paraná. Bolsista CAPES. Membro discente do Núcleo de Estudos Mediterrânicos da UFPR (NEMED-UFPR).)

Os chamados períodos transitórios são ricamente constituídos de aspectos próprios marcado, concomitantemente, por rupturas e continuidades. Por isso, não devem ser estudados apenas como intermediários, ou seja, como o fim de um momento histórico e início de outro. Analisados desta forma, suas peculiaridades se perderiam entre outros dois grandes períodos.

A fim de compreender melhor as particularidades do período denominado Antiguidade Tardia, no qual ocorreu o fortalecimento do cristianismo, propomos esclarecer especificidades deste cenário histórico e observá-lo como um momento de transferências culturais e não somente como um período de crises ou de transição entre a Antiguidade e a Idade Média. Quanto mais estudamos e conhecemos a Antiguidade Tardia, mais se dilui a tradicional imagem do fim do Mundo Antigo que Edward Gibbon defendia em sua obra Declínio e queda do Império Romano, com o primeiro volume publicado em 1776 e o último em 1788. Por conseguinte, percebemos o período tardo-antigo como um longo processo histórico no qual a tradição clássica se mesclou às novas realidades para construir algo original e particular. Em especial, neste texto, verificamos que a cristandade se apropriou de conceitos pagãos para fundamentar sua ideologia, visto que tanto cristãos como pagãos compartilhavam o mesmo ambiente cultural.

Antes de prosseguirmos com a análise de alguns estudos de caso, faz-se necessário uma importante nota sobre o termo pagão. Naquele mesmo cenário em que se elaboravam identidades, observamos que os cristãos, de maneira geral, uniam-se sob a alcunha da cristandade quando o tema em questão eram os indivíduos que se mantinham fiéis a outros deuses diferentes do proclamado pela fé cristã. Crenças politeístas e também monoteístas, como o judaísmo, o zoroastrismo, entre outras, foram denominadas pagãs pelo ponto de vista dos cristãos.

Deste modo, o termo pagãos (pagani) passou a designar as pessoas que não compartilhavam a fé no Deus cristão. Até então, o vocábulo pagani era utilizado na língua latina para designar a parcela da população que vivia longe das cidades, os habitantes do campo (pagus). Portanto, para aquele contexto, o termo pagão estava envolto por uma carga pejorativa, atrelada a ingenuidade, a falta de habilidades perante universo citadino, a crença em falsos deuses. Quando nossa documentação permite-nos identificar tais grupos, utilizamos suas nomenclaturas (judeus e neoplatônicos, por exemplo – apesar deste último englobar diversas religiões). Outras vezes, nos referimos a eles como “não-cristãos”. Por falta de uma expressão mais adequada, recorremos a uma não-identidade. Tal termo tem sido bastante utilizado pela atual historiografia brasileira.[1] De fato, não os identifica, porém os exclui do universo cristão, centro de nossas análises.

Nos documentos de autoria cristã, através do uso pejorativo do termo pagão, a alteridade desenhava os limites da cristandade ao mesmo tempo em que afastava aqueles descrentes em seu Deus cristão. Obviamente, este discurso universalista que proclamava uma cristandade unida e distinta do paganismo omitia as diversidades existentes entre os não-cristãos, considerados todos como pagãos.

Sabemos que no século IV d.C. os movimentos de tendência monoteísta ganhavam cada vez mais espaço nos territórios romanos, mesmo assim, as diferenças entre eles eram notórias. Enquanto alguns homens destacados naquela sociedade, como Constâncio, pai do imperador Constantino, manteve-se fiel ao Sol Invicto, outros indivíduos, como o imperador Juliano, tentava revitalizar o culto a Mitra.

Neste ambiente plural do paganismo, o pensamento neoplatônico, concorria com as tendências cristãs.[2] É certo que, muitas vezes, ambas as disposições convergiam e as interpenetrações exigiam reelaborações para que tais culturas fossem socialmente aceitas. De acordo com os princípios neoplatônicos, as divindades estavam hierarquizadas e sujeitas a uma autoridade única, um ser máximo. Inversamente a fé em uma entidade única, o neoplatonismo pregava a crença na soberania absoluta de um ente.

Neste trabalho, nossas referências não-cristãs são nomeadamente neoplatônicas, por isso, assim serão designadas. De acordo com Renan Frighetto, o pensamento neoplatônico, que buscava respostas acerca da perfeição sagrada, ganhou cada vez mais adeptos ao longo do século III. Esta procura pelo sagrado impulsionava o desejo da perfeição individual, logo, a necessidade da edificação de um novo homem, portador e proclamador dos valores clássicos, ávido pelo conhecimento, enfim, o homem modelo da sociedade romana[3].

Convivência entre cristãos e não-cristãos: algumas correntes historiográficas

Orientam este trabalho duas correntes historiográficas distintas. A primeira, expressa na tese de Eustaquio Sánchez Salor sobre a convivência entre os defensores de distintas crenças, ressalta os problemas existenciais e vivenciais enfrentados por cristãos e não-cristãos[4]. Os excertos de documentos apresentados pelo autor em seu livro possibilitam ao leitor verificar as diferenças de pensamento e as disputas travadas entre os representantes das tradicionais religiões greco-romanas e dos distintos cristianismos, no intento de defender os deuses antigos e os ensinamentos de Jesus Cristo, respectivamente. Já a segunda corrente, exemplificada pela obra de Eric Robertson Dodds, apesar de também apontar as distinções e os conflitos entre estes indivíduos, evidencia a existência dos diálogos, embora não descarte as polêmicas[5].

Certamente Sánchez Salor propõe um diálogo, entretanto, enfatiza as desavenças. Por outro lado, Dodds salienta a conversação entre os membros das comunidades cristãs e não-cristãs. Sem discordar dos embates religiosos presentes no cotidiano romano, nosso texto se detém em confirmar o diálogo entre uma corrente não-cristã, o neoplatonismo, e o cristianismo em torno de um objetivo comum: o desejo de que o Império dos romanos fosse eterno.

Neste caminho, selecionamos como representante neoplatônico o senador Quinto Aurélio Símaco Eusébio que viveu entre 340 e 402. Como representante da cristandade, elegemos especialmente o orador cristão Aurélio Prudêncio Clemente.

O poder da oratória preservado e desejado no diálogo entre neoplatônicos e cristãos durante a Antiguidade Tardia Ocidental

O antigo provérbio “a escrita permanece, as palavras voam” enaltecia a palavra falada perante a escrita. As palavras escritas eram destinadas à leitura em voz alta, pois o som emitido conduzia as ações cotidianas dos indivíduos. As letras do papel ganhavam vida com a voz do leitor, assim, a voz predominava sobre a letra. Somente com a leitura em voz alta as letras escritas pela tinta tornavam-se palavras e voavam com o intuito de ensinar ou entreter.

O escrito preservava a palavra, para que esta pudesse se propagar através da fala e proporcionar aprendizagem e prazer. Em uma época em que poucas pessoas sabiam ler e o acesso aos documentos e livros era limitado, o som procedente da leitura sugeria/impunha os passos diários, por isso, a leitura pública fazia parte dos hábitos daquela sociedade. Ao mesmo tempo em que esta leitura em voz alta aproximava locutores e ouvintes, ela os distinguia.

A palavra escrita era o suporte do discurso falado e, embora eles estivessem interligados, o suposto público de cada um era distinto. Ao escrever, o indivíduo relacionava-se consigo próprio. Interagia com o público somente à distância, tanto no tempo quanto no espaço[6], pois a leitura do texto era futura e seu trabalho se desenvolvia em um ambiente afastado do ouvinte. Já o discurso falado, o exercício da oralidade, exigia do leitor a relação imediata com aqueles que o ouviam. Deste modo, a escrita e a oralidade eram práticas que se complementavam naquele contexto, a fim de transmitir a sociedade modelos comportamentais.

Uma vez que o domínio da escrita e da leitura estava circunscrito a um pequeno grupo de indivíduos, aquele que lia em voz alta era o intermediário entre o escrito e o ouvinte. Por este motivo, a mensagem transmitida deveria ser clara para que fosse compreendida, lembrada e retransmitida pelos próprios destinatários a diferentes indivíduos. O texto era ouvido e guardado na memória, ou registrado pela pena de outros poucos privilegiados que dominavam as letras. Desta forma o registro escrito ganhava força e se integrava à memória oral e coletiva.

Enquanto o ouvinte se entregava às palavras emitidas pelo leitor, este deveria estar atento ao texto e se fazer ouvir e entender pelo receptor. Por isso, o clássico orador romano Marco Túlio Cícero defendia que o ato de ler era uma habilidade oral, enraizada na oratória. A palavra escrita tinha que ser bem apresentada àqueles que a ouviam. A execução de um discurso, ou seja, sua leitura pública, era “a única dona e senhora”[7]. Neste ínterim, a efetividade e o mérito da execução estavam, em grande parte, ligados a voz.

Conforme Curtius, o exercício de cargos públicos durante a Antiguidade exigia do indivíduo o domínio da escrita de discursos e da arte de orar. A oratória era, pois, condição prévia para uma carreira bem-sucedida[8]. Atrelada a oratória, a eloquência reforçava o prestígio e poder das palavras sobre os ouvintes. Enquanto aquela designava a arte de falar bem, com conhecimento de causa e desenvoltura, esta se referia ao talento de persuasão, de convencimento por meio da palavra. De acordo com Cícero, a correta disposição das palavras, o ritmo e o equilíbrio do discurso facilitavam o entendimento, a associação e a recordação do assunto pelo público[9].

Herdada dos gregos, durante a Antiguidade, a retórica e as demais artes liberais compuseram o patrimônio do saber da sociedade romana, tanto não-cristã como cristã. Ao ouvir os oradores gregos e conhecer seus discursos escritos, os romanos ansiaram por se dedicar e aprender a oratória[10]. Sendo a retórica o método de ordenamento de um discurso (que será proferido em público), a oratória é uma das partes que compõem esta arte, em parceria com a “força do orador” e a “investigação”[11]. A atividade política do Império Romano estimulava e garantia o lugar da oratória, que impulsionava carreiras e defendia vigorosamente as ideias daqueles que dominavam esta prática.

A oratória de Quinto Aurélio Símaco Eusébio

Durante os séculos IV e V d.C., os concílios ecumênicos afirmaram os preceitos cristãos e, através de inúmeros editos como o de Tessalônica (380 d.C.), delinearam os dogmas desta seita que passou a ser considerada oficial para o mundo dos romanos. Sem dúvida, este contexto de transformações religiosas, políticas e sociais apresenta, por um lado, a defesa de tradicionais crenças greco-romanas e, por outro lado, a proteção da fé em Jesus Cristo. Entretanto, textos de homens públicos deste momento, demonstram um cenário no qual o diálogo entre as culturas religiosas era constante. É também um cenário que propiciava a hábil utilização da antiga arte da oratória e a admiração por aquele que sabiam manejar as palavras com perfeição.

A fim de compreender melhor o diálogo entre neoplatônicos e cristãos no que se refere ao poder da oratória nesta contenta, esta parte de nosso estudo propõe a análise de alguns trechos de documentos de dois destacados homens públicos do mundo tardo-antigo romano: o neoplatônico Quinto Aurélio Símaco Eusébio e o cristão Aurélio Prudêncio Clemente.

Em um momento em que o cristianismo começava a fortalecer suas bases, o senador neoplatônico Quinto Aurélio Símaco Eusébio alcançou prestígio no cenário político-administrativo do Império dos romanos devido sua habilidade de manter uma eficiente rede de relações com importantes personagens de sua época, chegando a desempenhar a função de Prefeito de Roma, entre 384 e 385, em Roma. Advogado, orador, senador e autor, viveu entre 340 e 402 e era considerado um tradicionalista devido ao seu empenho para conservar a literatura antiga, a ordem senatorial, a religião e os símbolos greco-romanos.

Leitor e admirador de Marco Túlio Cícero, Símaco percebia em seu pai, Aviano Símaco, o tom da eloquência ciceroniana, a herança das letras antigas e a erudição dos gramáticos.

Símaco a seu pai (375) – Livro I, Carta 3

És o único que em nossa época imprimiste a moeda da eloquência latina com o cunho de Túlio. Somente tu apuraste a graça dos poetas, a gravidade dos oradores, a fiabilidade dos anais, a erudição dos gramáticos; és um justo herdeiro das letras antigas. […] És experiente nas regras da épica e igualmente sabes tocar o clarim da prosa. […] tu destacas de igual manera como orador e como poeta. [12]

Como um de seus preceptores, Aviano Símaco, pai de Símaco, provavelmente estimulou o filho a conhecer a arte da oratória. Quer tenha sido por incentivo de seu genitor ou por ter conhecido “acidentalmente” as obras de Cícero, Quinto Aurélio Símaco Eusébio tornou-se célebre nesta arte e foi considerado o último grande orador romano pagão. Seus Discursos reforçaram a fama de “orador eloquente” deste magistrado – característica que também pode ser observada em muitos de seus Informes, marcados por traços emotivos e por tons enfáticos de discurso.

Em Sobre o orador, Cícero afirmou que somente os varões cultos, os sábios, podiam dominar a oratória, pois apenas eles tinham a capacidade de conhecer e, em um discurso, lançar mão do conhecimento do passado, da literatura, da filosofia, das leis e da origem do poder dos romanos. Além destes saberes, adquiridos mediante intensas leituras, Cícero alertou que o desenvolvimento da prática da escrita aperfeiçoava e formava o orador. Contudo, apesar da dedicação minuciosa à redação do discurso, certas vezes, a improvisação era indispensável, mais um motivo para que a oratória fosse praticada pelos homens cultos[13].

Os requisitos da erudição desejados pelo clássico orador foram respeitados, resguardados e sustentados ao longo dos escritos do neoplatônico Símaco, os quais demonstram a vasta educação que recebeu, sua constante busca pelo saber e sua defesa eloquente da antiga tradição.

Na Carta 3 de seu livro I, encaminhada por Símaco a seu pai, o autor atestou que um modo admirável de viver incluia o fascínio pelas letras, a honra aos deuses (da religião romana), o trabalho e a caridade:

[…] Retirei-me primeiro a Nápoles e pouco depois a Bonevento [a romana]. Ali, os cidadãos me acolheram com as maiores mostras de consideração e aprovação […]. E por ser a cidade muito grande, cada um de seus notáveis moradores em particular me pareceram ainda maiores do que ela, por serem entusiastas das letras e por devido a seus admiráveis modos de vida. Uma grande parte deles honra aos deuses. [14]

Símaco destacou princípios que deveriam fazer parte da vida do bom cidadão e que, desde a Antiguidade, eram costumes dos importantes homens do passado, respeitados como sábios. Segundo a tradição, indivíduos que se portavam como sábios eram responsáveis pela manutenção da ordem na sociedade, o que garantiria a conservação do Império dos romanos. Por isso, discursos como este eram imprescindíveis do ponto de vista político-social. Eles criavam modelos de conduta que deveriam ser propagados e seguidos.

Ao analisar as cartas de Símaco a seu pai, Aviano Símaco, percebemos a erudição de Aviano e seu papel como preceptor de seu filho. Quinto Aurélio Símaco Eusébio abordou em seus textos autores (de escritos e de ações militares) que elevaram a dignidade dos romanos, o que demonstra seu largo conhecimento a respeito da história. Notamos que o prezar pela leitura, o zelo pela escrita e a constante busca pelo saber eram passados de geração em geração há muito tempo, preservados no seio desta família e resgatados a todo momento, inclusive naquele período de transformações.

A fama da oratória de Símaco foi reconhecida ainda em sua época e perdurou até a Idade Média, quando fora reverenciado como orador, por Sigeberto de Gembloux (1030 – 1112) e como “orador agudíssimo” por Pedro, o Venerável (1092 – 1156). Seus documentos foram considerados modelos de redação e de discursos artisticamente preparados até o século XV. Seu filho, Quinto Memio Símaco, erigiu-lhe uma estátua dedicada ao “orador eloquente”[15].

Destacados cristãos como Ambrósio, bispo de Milão, e Aurélio Prudêncio Clemente também admiraram o tom oratório do senador ainda no século IV. A Carta 18 de Ambrósio, destinada a Valentiniano II, apoiava a decisão deste imperador que não cedeu as desrazões de Símaco e não permitiu a restauração do Altar da Vitória[16]. Porém, percebemos que ao longo deste documento, ao debater os pretextos de Símaco para a reposição do altar da deusa Vitória, o bispo de Milão demonstrou sua preocupação com as ideias e o poder de convencimento de senador neoplatônico. O que demonstra a ampla divulgação e aceitação das palavras de Símaco, mesmo em um contexto normalmente conhecido pela historiografia como “época de triunfo do cristianismo”.

O extenso vocabulário, o cuidado com a escolha das palavras e os diversos adjetivos que adornavam os documentos de Símaco permitiam ao leitor verificar o cuidado do autor na elaboração de seus escritos, requisito essencial da arte da retórica. Além disso, sua admiração pela oratória ciceroniana foi repetidamente abordada nos documentos. Todavia, a mais intensa defesa a oratória apregoada por Símaco está expressa em seu Discurso 2 (Segundo panegírico de Valentiniano I, proclamado no início de 370 por ocasião da inauguração do terceiro consulado deste governante). Nesta circunstância, Símaco elogiou o imperador[17] por ele ter restaurado à atividade forense nas tribunas o exercício da eloquência, o que havia sido proibido anteriormente:

  1. […] A ti te devem as inteligências de todos aqueles que falam. Que ressoe junto a ti a liberdade da eloquência do fórum, a qual reintegraste às tribunas quando há tempos estava desterrada. O orador, fora de serviço, se entorpecia no campo, a força, era negada uma função a quem a natureza havia dado a facilidade da palavra. Em nenhuma parte havia silêncio maior que nos santuários das letras. A mesma enfermidade do emudecimento importava às diversas idades, posto que um breve fim limitava os estudos daqueles que começavam, um longo desuso arruinava a perícia dos velhos […].
  2. […] Nenhuma das artes está em silêncio, nenhuma atividade enfraquece. […] Foi oportuno que restauraste a prática da eloquência quando já tantas ações dignas de serem descritas havias realizado. O silêncio é inimigo das grandes obras.[18]

Conforme o orador tardo-antigo, a proibição da prática da eloquência na atividade jurídica havia calado o mundo das letras e prejudicado a todos, pois a falta de oportunidade de empregar bem a palavra limitava os estudos dos iniciantes e arruinava a perícia dos velhos, que não conseguiam mais ser sábios, portanto, não conseguiriam se tornar cidadãos completos. Em conformidade com o discurso de Símaco, através da ação de Valentiniano I, a liberdade da língua foi reconstituída. Sob este governante, nenhuma arte se calaria. A recuperação da eloquência permitiria que os grandes feitos fossem enunciados, o que não era possível com o silêncio, inimigo das imponentes obras romanas.

Este documento, além de louvar a eloquência – e, consequentemente, a oratória – como imprescindível para a política, pois anunciava e reforçava o Império dos romanos através da propaganda dos feitos de importantes cidadãos, ainda reforçava a ligação entre esta arte e as virtudes romanas. Para Símaco, não existia glória quando o silêncio prevalecia, pois, de acordo com a alusão de Maria Helena da Rocha Pereira, a glória estava sujeita ao reconhecimento público[19].

Sendo assim, esta virtude somente seria alcançada quando ocorresse a anunciação dos bons serviços prestados a res publica. Desta maneira, a partir do momento em que um discurso fosse bem elaborado para noticiar os grandes feitos, eles seriam reconhecidos e fixados na memória dos ouvintes. Salientamos que, neste contexto, a res publica não é mais entendida como uma forma de governo, gerenciada por instituições específicas. É sim a “coisa pública” que deveria ser defendida pelo bom governante e por aqueles que o auxiliavam na empreitada de administrar o Império para que o bem comum fosse preservado. Zelar pelo bem público e, consequentemente, pela ordem entre os romanos deveria ser a verdadeira missão do imperador e dos homens públicos daquela época. Quando um governante contrariava este princípio, violava a tradição e tornava-se um tirano.

Portanto, ao dominar a oratória, o indivíduo podia glorificar as empresas dos romanos, além de divulgar e preservar outros princípios norteadores daquela sociedade. Pois, como afirmava Cícero, o orador era responsável por fomentar a virtude e manter o vício distante dos indivíduos[20]. Estas missões foram abraçadas por Símaco em seus textos, que expressam sua preocupação em conservar a literatura clássica, os símbolos tradicionais greco-romanos e as virtudes romanas, bem como os privilégios da ordem senatorial e da antiga religião. Sob o ponto de vista de Símaco, somente desta maneira, a eternidade do Império poderia ser alcançada.

O poder da oratória: preservado e desejado

Observamos que mesmo em um contexto de discordâncias de fé, havia um discurso harmonioso entre cristãos e não-cristãos que propunha, em comum acordo, a preservação das bases morais, sociais e políticas daquela época.

Conforme Cícero, aquele que dominava a eloquência tinha a capacidade de falar sobre a origem das coisas e sobre as mudanças que as afetaram, sobre as virtudes e o espírito do homem; podia estabelecer costumes e dirigir a vida pública[21]. No século IV, cristãos e não-cristãos conviviam em um mesmo cenário, no qual as aptidões enumeradas por Cícero eram almejadas pelos homens públicos. Os letrados frequentavam as mesmas escolas e buscavam o domínio das artes ali apresentadas.

Símaco e sua oratória se destacaram já no século IV e continuaram a ser exemplos até, ao menos, o século XV. Com atitudes em prol da antiga religião greco-romana, ele buscava, sobretudo, defender os privilégios da ordem senatorial e a perenidade do Império dos romanos.

Se por um lado Prudêncio temia a eloquência de Símaco – pois este esclarecia e defendia, elegante e habilmente, a antiga tradição e o Império –, por outro lado, o pensador cristão contemplava os dons do orador neoplatônico, estudava seus textos e almejava a conservação destes documentos para o aprendizado da arte do “bem falar”. Adequava e incorporava os preceitos clássicos a um novo projeto que louvava e disseminava os ensinamentos de Jesus Cristo, mas que, também, sustentava a eternidade da instituição imperial ao propor a unidade e a universalidade deste Império, baseadas no único e universal Deus cristão, proclamado como protetor dos romanos.

A intensidade das ações públicas e o esforço para a manutenção da hegemonia do poder romano estimularam a prática da oratória. Aquele que a dominava expressava com elegância seus conhecimentos sobre história, literatura, filosofia, direito, política, religião e sobre as virtudes que constituíam o cidadão romano.

Os estudos e a preparação do orador não favoreciam somente a ele, pois, em uma época de iletrados, este indivíduo guiava sua família, seus amigos e, até mesmo, a sociedade ao exercer a atividade pública. Seus discursos ensinavam e/ou encantavam e influenciavam os ouvintes. Contudo, para isto, devia-se lançar mão da leitura pública e, acima de tudo, da arte de proferir discursos de forma convincente e “convidativa”, para que as palavras não fossem entregues ao vento, mas, sim, compreendias e fixadas pelos ouvintes.

A palavra escrita passava a formatar o cotidiano romano quando transformada em palavra falada e memorizada pelos destinatários da mensagem que a integrava à memória coletiva e às ações diárias. Por isso, quer fosse para conservar a antiga tradição, atrair novos fiéis através de sermões, ou legitimar a eternidade do Império, durante a Antiguidade Tardia a oratória continuou sendo ambicionada e resguardada.

A oratória entre o neoplatonismo e a cristandade

Examinamos uma sociedade que exigia a preservação das virtudes para continuar a existir e prosperar, assim como necessitava das artes liberais para conhecê-las, utilizá-las e propagá-las. Em uma sociedade em que poucos conseguiam ler, a leitura pública ditava as normas cotidianas, por isso, a oratória e o poder de convencimento advindo da eloquência eram indispensáveis, uma vez que o ritmo e o equilíbrio empregados no discurso promoviam o entendimento e a recordação do assunto explorado no discurso e repassado pelo leitor aos ouvintes.

Com o fortalecimento dos cristianismos, os sermões eram utilizados para instruir os leigos e atrair fiéis. A pregação tinha o propósito de converter. Das palavras emitidas pelo líder religioso deveriam emanar ensinamentos. Portanto, era necessário que os disseminadores da fé aprendessem a organizar seus discursos e a pregar com veemência.

De acordo com Bealulieu, a pregação estabelecia os dogmas da verdadeira religião diante da heresia, e impunha um modelo de cristianismo que integrava aspectos políticos, sociais e religiosos[22]. Através destes sermões, a palavra sagrada podia ser ensinada a um grande número de pessoas, ao mesmo tempo em que propagava concepções teológicas, modelos de comportamento, padrões morais e valores éticos. Neste ínterim, podemos afirmar que a necessidade de fazer com que os ensinamentos cristãos penetrassem naquela sociedade fez com que o sermão substituísse os discursos não-cristãos, sem dispensar a arte de proferir discursos. Sendo assim, observamos a preservação da oratória pelos cristãos, bem como o desejo destes indivíduos de dominar esta arte, afinal, os preceitos cristãos deveriam ser registrados na memória dos fiéis e retransmitidos aos outros.

Neste cenário de conservação das artes e virtudes antigas, não-cristãos e cristãos dialogavam constantemente. Aqueles para salvaguardá-las, estes para reelaborá-las e adaptá-las aos “ensinamentos de Cristo”. Mas, acima de tudo, tanto cristãos quanto não-cristãos demonstravam o propósito de proteger os princípios romanos.

Quanto ao desejo e a necessidade cristã de se preservar e dominar a oratória neste período de transformações, destacamos o caso do professor de retórica e advogado cristão Aurélio Prudêncio Clemente. Suas obras Contra Símaco I e II, escritas entre 402 e 403 (na época ou pouco depois da morte de Símaco), foram respostas ao Informe 3 do senador neoplatônico:

Oh, língua que flui do portentoso manancial de palavras, honra da eloquência romana, ante quem haveria de ceder inclusive o próprio Túlio; por que têm que ser estas as pérolas que derramam tua rica eloquência? Boca digna de brilhar com eterno banho de ouro, se preferisse louvar a Deus.[23]

Em seu Informe 3, Símaco solicitava ao imperador Valentiniano II a reposição do altar da deusa Vitória na cúria senatorial e a restauração dos privilégios dos tradicionais cultos, sem privar os cristãos de seus cultos. Se por uma via, em seus textos, Prudêncio acusava o Prefeito de Roma de utilizar sua sagaz oratória para defender glórias indefensáveis, por outra, não negava o talento empregado em seu discurso. O advogado cristão salientava que o próprio Cícero cederia perante as poderosas palavras de Símaco e que esta aptidão seria digna se fizesse resplandecer a figura de Deus.

Prudêncio reconhecia suas próprias limitações perante as habilidades do senador neoplatônico e deixou claro que não proporia um embate de talentos, pois, mesmo sendo professor de retórica, sabia de suas deficiências e que não venceria Símaco. Ao longo das contestações apresentadas em Contra Símaco II, Prudêncio refere-se a Símaco como “astuto e hábil orador”; proprietário de “palavras magníficas” que elaboravam “obras de arte”; e possuidor do “talento de um homem sábio”.

Estas consagrações, vindas de um professor de retórica, condecoravam ainda mais a destreza do orador neoplatônico. Prudêncio afirmou, ainda, que nenhum homem daquela época possuía tão grande capacidade como Símaco [24]  e que suas obras deveriam ser preservadas para que sua oratória fosse conservada[25]. Dados que comprovam, novamente, o desejo dos cristãos de aprender e conservar as artes dos antigos, bem como o diálogo entre os membros destas culturas religiosas.

Apesar de refutar a luta de Símaco pela defesa das honras devidas aos deuses não-cristãos, Prudêncio não deixou de enaltecer o poder da oratória propagada pelo Prefeito de Roma. Exprimiu seu pesar por toda aquela desenvoltura com as palavras não ser empregada para exaltar o Deus cristão. Situação facilmente compreendida à medida que esta mesma eloquência era um poderoso instrumento para a difusão da ideologia cristã que se tornou cada vez mais forte e legitimadora a partir do século IV. Percebemos, então, um escritor cristão que rivalizava suas ideias de fé com as da tradição greco-romana, ao mesmo tempo em que adaptava os princípios antigos aos difundidos por uma nova religião que delineava seus dogmas naquele momento. Por fim, a oratória mantinha seu papel, reverenciado deuses antigos ou legitimando o Deus único cristão.

NOTAS

[1] Vide trabalhos de PAPA, Helena Amália. A autoafirmação de um bispo: Gregório de Nissa e sua visão condenatório aos euomianos (360-394 D.C.). Tese doutoral apresentada ao Programa de Pós-graduação em História da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Franca-SP, 2014; SILVA, Érica Cristhyane Morais da. Conflito político-cultural na Antiguidade Tardia: o ‘Levante das estátuas’ em Antioquia de Orontes (387 d.C.). Tese doutoral apresentada ao Programa de Pós-graduação em História da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Franca-SP, 2012.

[2]GIGON, Olof. La cultura antigua y el cristianismo. Tradução para o idioma espanhol de Manuel Carrión Gútiez. Madrid: Editorial Gredos, 1970, p. 17.

[3] FRIGHETTO, Renan. Historia est narratio rei gestae: la concepción de la Historia en la Antigüedad Tardía (siglos IV – VII). In: Atas do Evento El fin de la Historia. Santiago: Ediciones Altazor, 2009, pp. 237 – 250.

[4] SÁNCHEZ SALOR, Eustaquio. Polémica entre cristianos y paganos a través de los textos: problemas existenciales y problemas vivenciales. Madrid, Espanha: Ediciones Akal S.A., 1986.

[5] DODDS, Eric Robertson. Paganos y Cristianos en una epoca de angustia: algunos aspectos de la experiencia religiosa desde Marco Aurélio a Constantino. Tradução para o español: J. Valiente Malla, Madrid, Espanha: Ediciones Cristandad, 1975.

[6] ANDRADE, Maria Lúcia da C. V. de Oliveira. História e lingüística. Oralidade e escrita no Discurso Religioso Medieval. In : ANDRADE FILHO, Ruy de Oliveira (coord. Geral). Relações de Poder, Educação e Cultura na Antiguidade e Idade Média, estudos em homenagem ao Professor Daniel Valle Ribeiro: I CIEAM, VII CEAM. Santana de Parnaíba, SP: Editora Solis, 2005. pp. 47 – 55.

[7] CÍCERO, Sobre el orador, Livro III, 213, p. 482.

[8] CURTIUS, Ernest Robert. Retórica. In: Literatura Européia e Idade Média Latina. Tradução: Teodoro Cabral; Paulo Rónai. São Paulo: Hucitec; EDUSP, 1996. p. 102.

[9] CÍCERO. Op. cit., Livro III, 171, p. 457.

[10] CÍCERO. Op. cit., Livro I, p. 91.

[11] Cf. MONGELLI, Lênia Márcia (coord.). Retórica: a virtuosa elegância do bem dizer. In : Trivium e Quadrivium : as artes liberais na Idade Média. Cotia: Íbis, 1999, pp. 73 – 111.

[12] SÍMACO EUSÉBIO, Quinto Aurélio. Cartas (Libros I – V). Introducciones, traducción y notas: José Antonio Valdés Gallego. Madrid: Editorial Gredos S.A., 2000. Livro I, Carta 3, 2.

[13] CÍCERO. Op. cit., Livro I.

[14] SÍMACO. Livro I, Carta 3, 4.

[15] GALLEGO, José Antonio Valdés. Introducción General. In: SÍMACO EUSÉBIO, Quinto Aurélio. Cartas (Libros I – V). Introducciones, traducción y notas: José Antonio Valdés Gallego. Madrid: Editorial Gredos S.A., 2000, pp. 19 – 21.

[16] AMBROSIO. Epístola 18, 1: “Tua clemência respondeu para o claríssimo Prefeito da Urbe, Símaco, acerca do altar da cidade de Roma que foi removido da cúria [e ele solicitou que] retornasse ao local.”

[17] Apesar de ocupar o cargo de cônsul, Valentiniano I havia sido aclamado imperador pelo exército em 364, depois da morte de Joviano.

[18] SÍMACO. Discurso 2, 29 – 30.

[19] PEREIRA, Maria Helena da Rocha. II Parte: Idéias Morais e Políticas dos Romanos. In: Estudos de História da Cultura Clássica. vol. II. Cultura Romana, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, s/d, p. 333.

[20] CÍCERO. Op. cit., Livro II, 35, p. 217.

[21] CÍCERO. Op. cit., Livro III, 76, p. 409.

[22] BEALULIEU, Marie-Anne Polo de. Pregação. (tradução: José Rivair Macedo) In: Dicionário Temático do Ocidente Medieval. vol. II. Coordenação Jacques Lê Goff e Jean-Claude Schmitt; Coordenador da tradução para português: Hilário Franco Júnior. Bauru – SP: EDUSC, 2006. p. 367.

[23] PRUDÊNCIO. Contra Símaco I, 633 – 636.

[24] PRUDÊNCIO. Contra Símaco II, 56.

[25] PRUDÊNCIO. Contra Símaco I, 649.

Referência bibliográfica:

Documentos:

AMBROSIO. Epístola 18. In: LIEBESCHUETZ, J. H. W. G. Political Letters and Speeches. Translated with an introduction and notes by J. H. W. G. Liebeschuetz with the assistance of Carole Hill. 2ª ed. Series Translated Texs for Historians. Liverpool: Liverpool University Press, 2010; SCHAFF, Philip. Ambrose: Selected Works and Letters. Grand Rapids, MI – USA: Christian Classics Ethereal Library, 2004.

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Indicação de filme:

Alexandria (título no Brasil) ou Ágora (título em Portugal). Direção de Alejandro Amenábar. Ano: 2009. País: Espanha. Estúdio: Canal+ España / Cinebiss / Himenóptero / Mod Producciones / Telecinco / Telecinco Cinema.