Nota de falecimento

 

Prof. Dr. José Antonio de Camargo Rodrigues Souza

 

 

O Núcleo de Estudos Mediterrânicos manifesta por este meio a sua profunda consternação diante da perda repentina de tão eminente pesquisador que atuou na formação de quadros discentes por toda a vida e promoveu enlaces científicos de alto nível com pesquisadores internacionais levando os estudos medievais para além-fronteiras. Desde há alguns anos tivemos o privilégio de partilhar de algumas de suas iniciativas e reconhecemos que a sua ausência gera uma lacuna importante na academia brasileira de estudos medievais. A sua produção fala por si mesma tornando redundante qualquer tentativa de dimensiona-lo em toda a sua amplitude e profundidade.

 Assim, manifestamos em nosso nome forte pesar público externado através dos mais profundos sentimentos de pêsames enviados à família e amigos.

 

 

 

Fátima Regina Fernandes

Coordenadora do NEMED (UFPR/CNPq)

 

Curitiba, 13 de setembro de 2017

 

VII CICLO INTERNACIONAL DE ESTUDOS ANTIGOS E MEDIEVAIS DO NÚCLEO DE ESTUDOS ANTIGOS E MEDIEVAIS DA UNESP – ASSIS/FRANCA – BRASIL

O CICLO INTERNACIONAL DE ESTUDOS ANTIGOS E MEDIEVAIS do Núcleo de Estudos Antigos Medievais da UNESP/Assis-Franca apresenta a sua VII edição no ano de 2017, trazendo mais de 40 palestrantes distribuídos entre conferências, mesas redondas, minicursos e simpósios. O CIEAM se insere em uma rede de debates nacional e internacional sobre Arqueologia, História Antiga e Medieval e tem se revelado o maior evento dessa área no Brasil. O Núcleo de Estudos Antigos e Medievais possui 32 anos e já realizou diversos eventos relevantes no que tange aos estudos históricos antigos e medievais em nosso país. O VII CIEAM ocorrerá entre os dias 18 e 22 de setembro na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da UNESP/Franca.

As inscrições podem ser realizadas pelo site: https://cieamneam.wixsite.com/2017

Link para o aplicativo do evento: http://galeria.fabricadeaplicativos.com.br/vii_cieam_da_unesp_assisfranca

NEMED sobre o BNCC História especialmente o Ensino Médio.

NEMED sobre o BNCC História especialmente o Ensino Médio.

Não existem rupturas na História, os processos e transformações não podem render-se a opções e focos demasiado restritos em detrimento da sua plena compreensão. A História, ciência dos homens no tempo, e as reflexões que propõe são um dos fundamentos primeiros da formação de cidadania, no entanto, pode se transformar em instrumento ideológico quando se centra exclusivamente neste ou naquele contexto como alguns povos ou algum país. A necessária discussão das construções ideológicas que propunham a primazia de uns povos sobre outros no passado utilizou-se destes mesmos mecanismos de seleção. Apenas fornecendo conteúdo crítico e atualizado dos contextos históricos, como um todo, facultaremos instrumentos para que o aluno, com apoio do professor e de bibliografia de qualidade e atualizada seja capaz de construir seu censo crítico. A discussão da natureza e fins das ideologias enquanto construções parciais da realidade deve ser apresentada, pois estas propõem respostas e soluções generalizantes e limitadoras das liberdades e a desconsideração das diversidades. Daí a importância de facultar aos alunos no Ensino Fundamental e Médio os conteúdos que envolvam as realidades anteriores ao século XVI sob risco dos jovens acreditarem equivocadamente que o mundo nasceu com o Brasil. Imporemos assim, um brasilcentrismo tão ou mais perigoso quanto o europeicentrismo que esta proposta quer combater. Como discutir Ciência e produção do conhecimento sem antes conhecerem o contexto de fundação das primeiras Universidades, dos ambientes de produção do conhecimento nos espaços árabes e gregos, discutir cidadania sem conhecer o conceito nos ambientes grego e romano, como saber de onde partiram as primeiras e fundamentais reflexões sobre o Direito desde a época dos romanos e boa parte das instituições que nos cercam até hoje? Uma parte dos dados culturais que constituem nossa tradição cultural brasileira seria apagada da História da mesma forma que antigas escolas europeias fizeram com as culturas ameríndias e africanas em séculos anteriores segundo interesses específicos. Ao aplicar seleções de conteúdo a nossos jovens estaremos praticando uma espécie de revanchismo pobre, ideologizado, tão corruptor das mentes juvenis como o daqueles que nos antecederam. Os eixos devem ser estruturas transversais que contemplem os cenários conjugados e relacionados de forma real e não apenas contextos escolhidos que formulem conclusões comprometidas em função de uma operação histórica direcionada. Lembrando sempre que a História é fundamento da humanidade e diante de uma escolha conduzida apenas segundo parâmetros pedagógicos, ciência recente, corre-se o risco de adotarmos um currículo absolutamente téorico que gere apatia nos estudantes em relação ao seu próprio passado comprometendo, assim, a sua atuação enquanto cidadãos no presente e no futuro.

A História, nesta proposta, perde a sua dimensão de vivido e inviabiliza a sua reflexão crítica enquanto parte de algo que existiu e nos toca até hoje. Ao impor recortes contextuais arbitrários e focos específicos perde-se a compreensão do todo em detrimento da visão mecanicista da parte. Os processos históricos desaparecem e destacam-se apenas as construções predominando nesta proposta a concepção de História contada, o que em mentes juvenis com pouca vivência pode dar a impressão de se estar tratando de uma sociedade imaginada numa realidade ficcional. A História perde ainda, nesta proposta, a sua dimensão universal, pois os homens são universais e não continentais ou nacionais. Antes de haver nações já havia processos históricos.

A História é plena de paradigmas: sociais, políticos, culturais e religiosos… Logo, a diversidade é um dos elementos fundamentais do conhecimento histórico, sem ela “congelamos” o passado e o moldamos fora do âmbito da realidade histórica possível. Ensinar aos jovens alunos do ensino médio que a História é dinâmica, cinética e que encontra-se em constante movimento aparece como primeiro passo efetivo para revelarmos a sua importância, pois estudamos o passado à luz do presente, somos frutos de toda uma tradição que nos antecedeu.

Nesse sentido, como podemos excluir se queremos mostrar a importância da diversidade? Destacar a “afro-américa” ou o espaço “afro-americano” requer, primeiramente, defini-lo: ele engloba àqueles que viveram neste espaço? Desde quando? E somente “africanos” e “americanos” fizeram parte desse espaço? Quem os conformava? Sabemos bem que grupos ancestrais autóctones fazem parte deste ambiente, porém outros passaram a participar nesse mesmo espaço e traziam consigo seus conhecimentos políticos, culturais, religiosos e uma constituição social gerada por séculos de experiências. Como podemos excluir os denominados “europeus” desse conjunto? Parte destes apresentou, ao longo da História, uma série de sistemas políticos que tornaram-se referencia para o mundo inteiro – a monarquia; a democracia; a república; outros menos favorecidos, como a tirania, a oligarquia ou a anarquia; e ofereceram-nos a ideia de poderes de caráter militar, como o Império, que ganhou, durante o processo histórico, uma conotação territorial. Como podemos falar de Império no Brasil sem termos uma referência mínima da herança romana e medieval deste conceito? E como falarmos de República ou Democracia sem fazermos menção ao passado clássico e helenístico greco-romano?

Uma História sem passado, sem cronologia, que não respeita a multiplicidade não é História. Por isso sou crítico com respeito a esta proposta, pois ela esquece o simples para os jovens – as referências cronológicas, que estão presentes desde o seu nascimento (hora, dia e ano) e com as quais eles lidam com seus pais, avós e parentes. Aquilo que eles veem diariamente, sobre os conflitos que grassam pelo mundo e que têm referencias cronológicas precisas (vide, por exemplo, o conflito da Síria e o problema que envolve a criação do Califado do Estado Islâmico), ou os diversos filmes e séries que eles assistem em seus lares todos os dias e que os levam a refletir e questionar onde ficava Roma, ou Atenas, ou a fortaleza do Kerac e o Mosteiro de Bobbio, além de muitas outras referências em um tempo passado – o século V a.C., o século II d.C., o século XII e século XIV… Sem a noção cronológica os jovens perdem qualquer referência e afastam-se dos demais jovens que a conhecem. Aqueles que tentam problematizar a História sem a cronologia oferecem visões deturpadas, equivocadas e que, infelizmente, encontram-se presentes em muitos de nossos manuais do ensino médio. As generalizações são decorrentes da falta de especialidade e esta proposta valoriza exatamente esse caminho. Anacronismos que enfraquecem a História e que reduzem os esforços de gerações de historiadores brasileiros que defendiam exatamente a pluralidade de opções e pensamentos que apresentam a Antiguidade, o Medievo, a Modernidade e a Contemporaneidade em espaços que vão do Mediterrâneo em direção à Europa, à África, à Ásia e à América. Nossos jovens, filhos de todas estas tradições, merecem conhece-las minimamente para afrontarem os desafios do conhecimento em um mundo globalizado e totalmente conectado. 

Cabe ainda aqui, a importante reflexão sobre a própria História da historiografia brasileira que não foi considerada nesta proposta. As vantagens de ser historiador sul-americano é a de que conhecemos as duas faces da moeda, a História europeia e a sul-americana, especialmente brasileira. Dispomos de competências de qualificação estimuladas, inclusive pelas agências de fomento que nos facultam capacidades de crítica, discussão e atualização das interpretações europeicentristas à luz das experiências e conhecimentos mais amplos que envolvem os processos sul-americanos e não só. Capacidades que ecoam em instituições internacionais e permitem parcerias coordenadas a partir do Brasil e a existência de centros de pesquisa e divulgação, formação e atualização docente e discente em avançada fase de consolidação. Uma massa crítica que já dá seus frutos no ambiente científico e acadêmico, mas também no âmbito social. Impôr agora, no momento em que nos encontramos neste processo de consolidação um currículo que limita estas habilidades adquiridas e patrocinadas pelas agências em consonância com o MEC seria um recuo, uma simplificação desnecessária e nefasta á produção do conhecimento junto aos jovens futuros pesquisadores.

Além disso, a inaplicabilidade desta proposta como um todo chama igualmente à atenção manifestando a incapacidade de auto-avaliação por parte das instâncias responsáveis das reais dificuldades que envolvem a tarefa de ensinar no Brasil. A necessária qualificação docente, apetrechamento mínimo das escolas, disponibilidade de meios de acesso dos discentes à escola, a evasão escolar e tantos outros desafios que têm de anteceder o afinamento dos currículos. Parte-se do ponto de chegada de um processo que tem de começar por permitir o acesso mais amplo possível ao conhecimento de qualidade aos jovens sem restrições de conteúdos selecionados.

Sobre o 1º ano do EM Médio em específico:

Priorizar o estudo da África a partir do século XVI é empobrecer a História de um continente e ignorar os trânsitos culturais entre o Magreb e a Península Ibérica, também formadores da nossa identidade brasileira, via convivência entre muçulmanos e cristãos na Península Ibérica, ao longo de 7 séculos. Os portugueses que chegaram ao Brasil não eram “isentos” de África, já traziam em si elementos linguísticos, étnicos e culturais africanos, muito anteriores ao início do tráfico de escravos para o Brasil. Basta lembrar que o nascimento de Al-Andaluz se fez, sobretudo, com contingentes de muçulmanos africanos que vieram a estabelecer moradia na Península Ibérica. Ao longo de boa parte da Idade Média, houve luta, mas também convivência pacífica entre os povos do livro. Alunos do Ensino Médio precisam entender que a paz já foi alcançada entre muçulmanos e cristãos que compartilharam o mesmo território. Isso tem grande ressonância no mundo em que vivemos.

Ainda sobre o estudo da África, a ênfase a partir do século XVI, prejudica a compressão de um Magreb formado por cortes brilhantes, em que sobressaiu, por exemplo, um dos maiores historiadores medievais, Ibn Khaldun (1332-1407). Lembremo-nos que esse sábio muçulmano fazia viagens pelo Mediterrâneo, entre terras islâmicas e cristãs e era recebido com honra pelas suas margens! Lembremo-nos ainda que ele é responsável por uma importante metodologia história, bem como por uma percepção da passagem do tempo, que o BNCC parece ter ignorado.

Ainda sobre a convivência pacífica, sobre a guerra e sobre a circulação de indivíduos no mundo medieval, o que tem muito a colaborar na compreensão do presente, quando assistimos às grandes movimentações populacionais de 2015, é preciso falar que a África de antes do século XVI dava espaço ao trabalho de cientistas, tais como Maimônides, que deixando a Península Ibérica, percorreu o Mediterrâneo e encontrou emprego junto ao vizir do Egito. Maimônides é um entre outros que podem ser citados.

Parece que a BNCC ignorou a África muçulmana, que nasceu na Idade Média… Como vai explicar, nos outros anos do Ensino Fundamental, o Império Otomano? As consequências do seu fim na Primeira Grande Guerra? A Revolta dos Malês no Brasil?

As perguntas que os medievalistas fazem aos autores dessa ênfase em uma África vilipendiada, o que se constitui em verdade, mas não na totalidade, é por que ignorar que África também foi um continente cheio de riqueza cultural na Idade Média? Por que não mostrá-la no seu dinamismo cultural e político de antes de XVI? A quem interessa construir um discurso que, ao invés de elevar a riqueza cultural, vitimiza o continente em uma chave de escravidão e partilha colonial?

Sobre o 2º ano do EM Médio em específico:

Quando se aborda as questões da colonização do Brasil, resultado da expansão ultramarina, o estudo da Idade Média pode colaborar no sentido de instrumentalizar os alunos e as alunas do Ensino Médio a perceberem esse fenômeno como resultado, na origem, da mentalidade de cruzada. Nesse sentido, urge compreender o que foram as cruzadas. Onde essa importante aprendizagem está inserida? Uma Historiografia ultrapassada vinculava a expansão às razões unicamente econômicas. Hoje, os medievalistas voltam às fontes a fim de indagarem como as sociedades explicavam seus projetos e encontram a longa permanência da mentalidade de cruzada.

Explicar esse fenômeno é fundamental para que os adolescentes possam analisar criticamente os usos anacrônicos do termo cruzada em nosso contexto.

Quando se fala em movimentação de pessoas a partir do século XVI, empregando o termo “diásporas”, sugere-se que o fenômeno se deu a partir desse século… Onde está a percepção da movimentação dos sábios bizantinos para a Península Itálica, móbil essencial para a compreensão do Renascimento? Prova-se inclusive a permanência da mentalidade de cruzada, a partir da evidência da tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos.

Ao se ignorar a permanência da Idade Média na colonização do Brasil, ignoram-se instituições transplantadas e até a riqueza da obra de Ariano Suassuna e do Teatro Armorial…

Sobre o 3º ano do EM Médio em específico:

Novamente, sobressai a evidência forçada de que o mundo “começou” no século XVI… Depois de 2 anos repisando essa inverdade, os alunos podem se convencer de que não houve pensamento, filosofia, tecnologia, convivência, brilho e dor antes desse “marco”.

Como ao longo de todo o Ensino Médio, segundo a proposta dessa Base, os alunos ficaram sem conhecer o Ocidente Latino, Bizâncio e o Mundo Muçulmano, os medievalistas se perguntam como os jovens poderão entender a ressonância de um fenômeno como a Primavera Árabe?! Como entenderão a ressonância do Prêmio Nobel para o quarteto de Túnis (a Túnis do sábio muçulmano medieval Ibn Khaldun…)? Sem entender que o mundo muçulmano na Idade Média alimentou de filosofia o próprio Ocidente Latino, como as alunas e os alunos verão homens e mulheres dessa religião, e que chegam hoje ao Brasil em grandes contingentes, para além do fundamentalismo que a mídia proclama? Aliás, como entenderão o nascimento do próprio fundamentalismo, cujas correntes contemporâneas estão radicadas em interpretação equivocada de pensamento nascido na Baixa Idade Média?

Como um aluno que encerra seus estudos regulares, entre o Ensino Fundamental e Médio no Brasil, entenderá que só pode ler Aristóteles porque ele foi traduzido e comentado na Idade Média? Ao ignorar esse contexto, tiraremos dos jovens a aprendizagem dos caminhos de transmissão das fontes com as quais o pensamento científico se fez, entre a Época Moderna e Contemporânea.

O mundo não começou no século XVI nem para África, nem para o Brasil, nem para Portugal, nem para qualquer outra parte desse planeta em que homens e mulheres, graças ao conhecimento da História, podem descobrir que uma guerra pode até ter durado mais de 100 anos (a Guerra dos Cem Anos: 1337 – 1453), mas que as sociedades do passado encontraram meios de alcançar a paz. O conhecimento histórico pode dar esperança aos jovens, ao mostrar com evidências diversas que as sociedades mudam, que se refazem, que empregam tempo e energia diversos para encontrarem soluções para seus problemas. A BNCC no que se refere à História não pode amputar o conhecimento histórico.

Projeto Pandora

0001Projeto Pandora: propôs-se a promover o desenvolvimento de materiais paradidáticos pelos doutorandos do Programa de Pós-Graduação em História da UFPR para uso dos professores de ensino fundamental e médio após realização de evento de extensão para divulgação e ensaio da eficácia de utilização com alunos e discentes do ensino público em Curitiba. Disponibilização destes materiais no site do NEMED a todos os interessados.

A primeira fase desenvolveu-se no dia 29 de julho de 2014 e funcionou dentro da programação da Semana Pedagógica do Colégio Estadual do Paraná como evento de extensão (SIGEU UFPR), contando com a presença de professores da rede estadual da área de História, Filosofia, Geografia e profissionais de pedagogia, discentes da Graduação e Pós-Graduação em História da UFPR. Os seis doutorandos do Programa de Pós-Graduação em História responsáveis pela elaboração de temas contidos na LDB da área de História Antiga e Medieval carente em termos de recursos paradidáticos de qualidade e específicos disponíveis apresentaram suas propostas e recolheram as sugestões. Os temas propõem uma problematização dos temas, disponibilidade de mapas históricos e discussão de imagens, cronologia comentada, definição de conceitos e glossário, biografias de personagens envolvidos nos temas desenvolvidos. Os trabalhos foram reorganizados em função das sugestões colhidas na primeira fase e a segunda fase desenrolou-se dia 02 de dezembro de 2014 no Colégio Estadual do Paraná e fez a exposição já no esboço da plataforma digital integrada, a qual foi muito bem acolhida recebendo sugestões de aprimoramento adicionais, as quais foram recolhidas para implementação final neste mês de novembro de 2015, a qual ficará disponível gratuitamente aos professores do CEP na página do Núcleo de Estudos Mediterrânicos (NEMED/UFPR) para consulta por parte dos docentes no preparo de suas aulas.

Profa. Dra. Fátima Regina Fernandes (NEMED/UFPR/CNPq) Coordenadora

Mestre Janira Feliciano Pohlmann, vice-coordenadora

Mestre Eliane Veríssimo de Santana

Mestre Elaine Cristina Senko

Mestre Carlos Eduardo Zlatic

Mestre Danilo Medeiros Gazzotti.

Link para o projeto aqui

Apresentação pública de resultados da pesquisa

Convite para apresentação pública dos resultados obtidos no estágio de Pós Doutorado realizado pelo Professor Dennison de Oliveira, com o projeto intitulado “Aliança, Brasil-EUA: nova história do Brasil na Segunda Guerra Mundial” . O evento é parte dos ciclos de conferências do evento de extensão universitária Diálogos Mediterrânicos VI promovido pelo  Núcleo de Estudos Mediterrânicos (NEMED)  e pela Linha de Pesquisa Cultura e Poder. Estágio de Pós Doutorado realizado no INEST /UFF sob orientação do Prof. Vágner Camilo Alves, abrangendo também comentários e dicas para os pesquisadores interessados no uso de arquivos nacionais e estadunidenses, consultados nessa pesquisa ao longo do ano de 2014.

Data: 24 de março, terça feira,
Horário: 13:30 hrs,
Local: Departamento de História, sala Prof Carlos Antunes (612).

Visita da prof.ª Dr.ª Ana Belén Zaera García (Universidad de Salamanca)

O Núcleo de Estudos Mediterrânicos da Universidade Federal do Paraná tem a satisfação de informar que no mês de março de 2015 contará com a presença e participação em suas atividades acadêmico-científicas da Professora Doutora Ana Belén Zaera García, da Faculdade de Direito da Universidad de Salamanca (Espanha) e especializada na área de Direito Romano – República e Principado. A Professora Ana Zaera participará das seguintes atividades:

. Oficina de Estudo e Pesquisa A organização política romana na República: a campanha eleitoral e o delito da compra de votos que ocorrerá nos dias 17, 20, 23 e 24 de Março de 2015, no horário das 09:30 – 11:30 (total de 08 horas/aula), voltada aos discentes de Pós-Graduação de História da UFPR, bem como de Direito, Letras e Filosofia. Também serão aceites discentes de graduação em História e demais áreas das humanidades. Inscrições podem ser feitas pelo e-mail nemed.ufpr@gmail.com indicando como “assunto” “Oficina de Estudo e Pesquisa” (uma mensagem será enviada para confirmação da inscrição). As aulas serão proferidas em língua castelhana.

. Evento de extensão universitária Diálogos Mediterrânicos VI. No dia 19 de março, no horário das 09:00 – 11:30, a Professora Ana Zaera iniciará esta atividade que se desenvolverá ao longo do primeiro semestre. O tema da apresentação será O Exílio voluntário em Roma: um direito dos cidadãos romanos para evitar a condenação à morte. A programação completa dos Diálogos Mediterrânicos VI será disponibilizada até o dia 15 de março na página web www.nemed.he.com.br . As inscrições deverão ser feitas pelo e-mail nemed.ufpr@gmail.com indicando como “assunto” “Inscrição Diálogos Mediterrânicos VI”. A palestra será proferida em língua castelhana.

. Além destas atividades, a Professora Ana Zaera participará da banca de defesa de Doutorado de André Luiz Leme, cujo trabalho intitula-se O pensamento político de Suetônio em ‘ A vida dos Doze Césares’ (século II d.C.): A crítica ao poder absoluto do príncipe romano. Também participarão como arguidores os Professores Doutores Adriana Mocelim Souza Lima (Curso de História – PUC/PR), Marcos Luiz Erhardt (Departamento de História – Unioeste) e Marcella Lopes Guimarães (PPGHIS – UFPR). A defesa de Doutorado ocorrerá no dia 25 de março, a partir das 14:00.

Récit Prof.ª Marcella Lopes Guimarães

Bref récit de mon expérience en tant que Professeur invité de l’Université de Poitiers, entre mai et juin 2014.

Raconter une expérience c’est l’organiser pour soi-même, mais publier le rapport implique de partager le vécu et son interprétation avec d’autres personnes intéressées, c’est-à-dire, avec le lecteur. Du 25 mai au 28 juin, j’ai vécu de nombreuses expériences académiques, institutionnelles et personnelles très importantes pour moi, en tant que Professeur Invité à l’Université de Poitiers, auprès du CESCM (Centre d ‘études supérieures de civilisation médiévale). Un long séjour de 34 jours. Pourquoi? Parce que depuis ma candidature dans le cadre de l’appel lancé par l’Université de Poitiers, jusqu’à mon départ et finalement mon retour au Brésil, s’est écoulée une année.

Les relations entre le NEMED (Núcleo de Estudos Mediterrânicos) et le CESCM existent depuis 2010, quand les collègues Fátima Regina Fernandes et Renan Frighetto ont été invités à participer aux Semaines d’Études Médiévales par le Professeur Stéphane Boissellier, notre principal partenaire depuis lors. De 2010 à aujourd’hui, notre travail est fructueux, avec de nombreux voyages au-dessus de l’océan Atlantique et un certain nombre de publications. Mon séjour à Poitiers est un nouveau chapitre dans les relations académiques entre nos laboratoires de recherche. Cette expérience a également favorisé le rapprochement de nos institutions, qui aujourd’hui souhaitent renouveller un accord ayant pris fin en 2013. Elle m’a aussi offert l’opportunité d’effectuer des recherches auprès des archives et de visiter des monuments que je ne connaissais pas.

Pendant mon séjour en tant que Professeur Invité, j’ai réalisé trois activités: j’ai collaboré à la traduction de la Chronique de D. Ferdinand (écrite par le chroniqueur portugais Fernão Lopes), projet dirigé par le Professeur Stéphane Boissellier; j’ai donné un atelier consacré aux sources littéraires galégo-portugaises pendant les Semaines d’ Études Médiévales et j’a participé activement aux différents débats des Semaines. De plus, j’ai pu accompagner le groupe de collègues et d’étudiants dans les visites organisées par le CESCM: à Chinon, à Fontevraud et à Saint-Savin. Beaucoup de mes impressions et découvertes ont fait objet de post presque instantanément sur mon profil Facebook et y sont toujours disponibles.

Il n’est pas commun, étant loin de sa famille et de ses proches, et vivant intensément une autre culture, de se sentir à l’aise, comme parmi ses amis… Eh bien, au fil du temps, j’ai toujours été avec des amis et je m’en suis même fait de nouveaux, des personnes admirables, qui font partie de mon coeur et de ma bibliothèque. Qu’il est agréable d’avoir une bibliothèque pleine d’émotions ! Je remercie surtout mon ami Stéphane Boissellier et sa famille qui m’ont accueillie à bras ouverts chez-eux ; l’ami Charles Garcia, son zèle et sa disponibilité et Cécile Treffort, son amitié et son soutien. Je tiens à souligner le bonheur d’avoir vécu avec l’excellente Claude Andrault-Schmitt, avec la joie de Marcello Angheben, avec la courtoisie de Stephen Morrison et la sympathie de Vanessa Ernst-Maillet et Catherine Girault.

Marcella Lopes Guimarães.
UFPR/NEMED